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Aviso precoce de cenário apocalíptico em Gaza bloqueado por EUA a Israel

Alerta inicial sobre Gaza norte, descrevendo fome extrema e corpos nas ruas, foi barrado por diplomatas dos EUA, atrasando reconhecimento institucional da crise

Palestinians walk past the rubble of residential buildings destroyed during the war, in Jabalia, northern Gaza Strip, January 6, 2026. REUTERS/Mahmoud Issa/File Photo
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  • Um cable da USAID, enviado em fevereiro de dois mil e vinte e quatro, descreveu o norte de Gaza como um “deserto apocalíptico” com graves faltas de comida e de água potável.
  • O embaixador dos EUA em Jerusalém, Jack Lew, e a sua adjunta Stephanie Hallett bloquearam a divulgação ampla do cable, alegando falta de equilíbrio.
  • O cable faz parte de cinco mensagens iniciais de dois mil e vinte e quatro sobre a deterioração de saúde, alimentação e saneamento em Gaza, causada pela operação militar de Israel.
  • Autoridades disseram que a circulação mais ampla poderia atrair críticas e aprofundar o escrutínio de um memorando de segurança nacional assinado pelo presidente, que condiciona apoio à cooperação de Israel com a lei internacional.
  • Especialistas afirmaram que a assessoria humanitária foi marginalizada, com informações da USAID muitas vezes verificadas por agências da ONU e organizações internacionais, gerando ceticismo entre alguns membros da administração.

A agência de desenvolvimento dos EUA (USAID) elaborou, no início de 2024, um aviso para autoridades seniores do governo de Joe Biden afirmando que o norte de Gaza se transformou em um “deserto apocalíptico” com graves déficits de alimentos e ajuda médica. A mensagem descrevia cenas de corpos em carros, um fêmur humano nas vias e necessidades humanitárias catastróficas.

O envio para a cadeia de comando foi barrado pelo embaixador dos EUA em Jerusalém, Jack Lew, e por sua dupla deputada, Stephanie Hallett, que consideraram o cable sem equilíbrio suficiente. As decisões foram relatadas por quatro ex-funcionários e documentos vistos pela Reuters.

O cable de fevereiro de 2024 fazia parte de cinco notas iniciais que descreviam o agravamento da saúde, da alimentação e do saneamento em Gaza, decorrente da campanha militar israelense. Em outro momento, autoridades disseram que o tom gráfico buscava chamar atenção de líderes.

Segundo fontes, a embaixada em Jerusalém supervisionava a linguagem e a distribuição da maior parte dos cabos sobre Gaza, incluindo mensagens de outras representações na região. A Redação da Reuters teve acesso a um dos cabos.

Funcionários afirmaram que descrições explícitas poderiam ter aumentado a pressão sobre a atuação do governo dos EUA. O memorando em questão analisava risco de fome no norte de Gaza e insegurança alimentar em outras áreas, devido à interrupção de entregas de alimentos.

A distribuição de informações humanitárias foi alvo de avaliação crítica no Executivo, com perguntas sobre verificação e divergência em relação à versão de Israel. Fontes citam que Hahn Halet pediu reformulações em alguns cabos por conterem informações já amplamente divulgadas.

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