- Em 24 de janeiro, Zhang Youxia foi removido do alto escalão do Exército de Libertação Popular, em meio às purgas promovidas por Xi Jinping, com suspeitas de corrupção e de deslealdade; o episódio também aponta desavenças sobre estratégia militar.
- A reorganização é vista como uma preparação geracional do PLA, com tensões entre ampliar rapidamente a capacidade e manter foco técnico de combate, especialmente em relação a Taiwan em 2027.
- A modernização chinesa já rende resultados: investimento elevado, foco em forças tecnológicas, mísseis e caças de ponta, além de fortalecer a marinha e o arsenal nuclear; redução da infantaria para mensagens de maior eficácia.
- Em 2020, foi adotada uma doutrina de operações conjuntas, que exige que as unidades atuem de forma integrada, de brigadas a níveis mais baixos, aproximando-se de modelos ocidentais.
- Xi vê a defesa como parte central do avanço da China como grande potência, com o objetivo de ter um exército moderno sob controle do Partido, incluindo aumento de marines para cerca de 40 mil a 50 mil homens.
A China tem promovido uma limpeza de alto escalão na sua liderança militar, e a demissão de Zhang Youxia em 24 de janeiro representa o ápice desse movimento. Zhang é visto como um antigo general da linha de frente, agora sob investigação por corrupção e deslealdade. A queda pode refletir divergências estratégicas com Xi Jinping.
Analistas apontam que o choque pode ter raízes em diferenças sobre a direção da modernização das Forças Armadas e sobre como enfrentar Taiwan. Enquanto Xi busca ampliar a presença e o alcance militar, membros mais técnicos defendem um desenvolvimento mais focado na capacidade de combate real.
O tema central é a transformação da PLA (Exército de Libertação Popular) em uma força moderna, com operações conjuntas e redesenho de estruturas. A expectativa é de que o país avance com um novo plano quinzenal de investimentos e prioridades de defesa até 2027, ano de referência para estratégias futuras.
Segundo o debate com o jornalista Adam Tooze, a modernização tem incluído aumento do gasto militar, passagem de unidades de nível divisionário para brigadas e maior integração entre armas. China investe para manter o ritmo frente a potências globais, mantendo o foco na liderança do Partido.
Tooze explica que a PLA tem adotado doutrinas de operações conjuntas desde 2020, reduzindo o peso de infantaria pura e fortalecendo corpos navais e aéreos. A ideia é criar uma força de combate 21º século, capaz de atuar de forma integrada.
O analista ressalta ainda que, apesar de não ter travado grandes guerras recentemente, a experiência de combate é valiosa para avaliar doutrinas, táticas e tecnologia. Drones, manufatura em massa e guerra anfíbia ganham destaque na estratégia chinesa.
Xi Jinping tem enfatizado a ambição de transformar a China em uma potência com uma grande força militar sob controle do Partido. A meta é que o país esteja preparado para cenários de alto conflito, com foco em capacidades de dissuasão e mobilização regional.
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