- Corte em Tóquio ordenou que a Coreia do Norte pague ao menos 20 milhões de ienes a cada uma de quatro moradores que fugiram para o Japão, reconhecendo danos por recrutamento coercitivo.
- Entre 1959 e 1984, mais de noventa mil pessoas de ascendência coreana no Japão foram atraídas para o regime, em uma operação que críticos descrevem como sequestro de estado.
- A ação, iniciada em 2018, envolve pedidos de reparação simbólica; o tribunal summona, de forma simbólica, o líder norte-coreano Kim Jong-un para testemunhar.
- A possibilidade de efetivar o pagamento é remota, e advogados sugerem confiscar ativos norte-coreanos no Japão como opção mais realista.
- As vítimas são parte de cerca de 150 pessoas que escaparam do programa e retornaram ao Japão; governo japonês e Cruz Vermelha não foram alvo da ação.
O tribunal de Tóquio ordenou nesta semana que o governo da Coreia do Norte pague indenização a quatro refugiados que escaparam para o Japão, acusando o regime de atração de trabalhadores e de privação de direitos básicos. O valor mínimo é de 20 milhões de ienes para cada um. A decisão não envolve a responsabilidade de instituições japonesas.
Entre 1959 e 1984, mais de 90 mil pessoas de descendência coreana no Japão foram aliciadas para a Coreia do Norte, em uma operação que visava mão de obra e propaganda. Muitos, como Eiko Kawasaki, acabaram presos no regime por décadas, longe de familiares no Japão. O caso envolve vítimas da chamada propaganda de um “paradiso na Terra”.
A promotora de Kawasaki afirma que a sentença representa um marco, ainda que o tribunal não tenha como fazer cumprir o pagamento. A defesa aponta que a única opção viável seria confiscar ativos norte-coreanos no Japão. O processo, iniciado em 2018, envolve cerca de 150 pessoas que retornaram ao Japão.
Contexto histórico
Kawasaki, hoje com 83 anos, foi levada a bordo em 1960 após ser convencida por organizações ligadas à Coreia do Norte em solo japonês. Ao chegar, encontrou pessoas malnutridas e em condições degradantes, segundo os relatos da ação.
Desdobramentos legais
O tribunal simbolicamente convocou o líder norte-coreano, Kim Jong-un, para testemunhar, mas não houve expectativa de presença. A decisão abre caminho para possíveis ações futuras de recuperação de ativos, conforme a defesa. O governo japonês e a Cruz Vermelha Internacional não foram parte do processo de indenização.
Perspectivas e impactos
Os réus que conseguiram sair do regime relatam o interesse em esclarecer casos de desaparecimento de familiares, com a esperança de reparação. O número total de pessoas que escaparam a partir da Coreia do Norte permanece estimado em cerca de 150 no Japão, segundo o processo.
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