- Em oito de janeiro, agentes da patrulha de fronteira atiraram em dois venezuelanos no estacionamento de um hospital em Portland, Oregon; nenhum agente ficou ferido.
- O DHS informou que os alvos eram membros da gang Tren de Aragua e que o motorista teria usado o veículo como arma; os atingidos foram Yorlenys Zambrano-Contreras e Luis Niño-Moncada.
- Documentos judiciais posteriores indicaram que o procurador não sugeriu que Niño-Moncada fosse membro da gang, e a FBI afirmou que Zambrano-Contreras era vítima de estupro e roubo em um incidente anterior.
- Não houve filmagens de câmera corporal; as acusações se basearam principalmente em depoimentos de agentes e em imagens de videomonitoramento parcialmente obtidas pela imprensa.
- Especialistas e críticos dizem que a comunicação do governo parece uma campanha de difamação, com evidências fracas sobre vínculos com a gang e questionamentos sobre a credibilidade das acusações.
O caso ocorreu em Portland, Oregon, na tarde de 8 de janeiro, quando um agente da Patrulha de Fronteira atirou em dois ocupantes de um veículo durante abordagem. Segundo a agência, o motorista teria usado o veículo como arma contra oficiais, e a passageira foi atingida no peito. Os dois seguem hospitalizados; os agentes não ficaram feridos.
A narrativa oficial do Departamento de Segurança Interna (DHS) descreveu os ocupantes como membros violentos da gang Tren de Aragua, com ligação a uma série de incidentes anteriores. Um dos ocupantes, Luis Niño-Moncada, permanece detido, enfrentando acusações de agressão grave a agente. A mulher, Yorlenys Zambrano-Contreras, não foi indiciada por crimes, mas já havia sido apontada pela DHS como ligada ao grupo.
No entanto, registros do governo obtidos pelo Guardian mostraram contradições no relato apresentado em tribunal. Um promotor do Departamento de Justiça afirmou que não há evidência de que Niño-Moncada seja membro de gangue. Também há indícios, via um ofício do FBI, de que Zambrano-Contreras foi vítima de estupro e roubo, não suspeita de crime. Ambos negam antecedentes criminais significativos.
A violência ocorreu sem câmeras corporais gravando o incidente. A FBI afirmou que não houve vídeo disponível, enquanto investigações buscavam imagens de câmeras de vigilância. A denúncia judicial descreveu as ações de Niño-Moncada ao volante e a suposta manobra de fuga, sem imagens que comprovem o momento exato do disparo.
A defesa de Niño-Moncada sustenta que o motorista estava assustado, em meio a um “clima de terror” entre imigrantes. Argumenta ainda que a acusação de relação com Tren de Aragua não fica comprovada por evidências apresentadas. Zambrano-Contreras, que não responde por crime, já admitiu entrada irregular nos EUA.
Especialistas em imigração e direito crítico apontam que a comunicação oficial pode ter usado alegações vagas para associar os indivíduos a uma gangue. A falta de provas concretas de filiação ou de vínculo direto com o suposto crime de agressão complica a acusação. Juristas destacam que não há evidência clara de participação de Niño-Moncada em crimes anteriores.
A defesa de Niño-Moncada informou que não houve condenação anterior e que o acusado chegou aos EUA buscando refúgio de perseguição política. Ainda não houve pronunciamento definitivo sobre a existência de associação com Tren de Aragua ou sobre o tema de vítimas de violência em incidentes anteriores.
Detalhes processuais e contexto
O caso envolve alegações contraditórias sobre a identidade dos suspeitos e o papel do grupo Tren de Aragua. A promotoria reconheceu, em audiência, que não há prova de vínculo direto de Niño-Moncada com a gangue, o que pode influenciar a estratégia de defesa e o andamento do processo.
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