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França aprova orçamento após meses de negociação e moções de desconfiança

Governo francês aprova orçamento após meses de impasse, usando poderes constitucionais para evitar votação, com apoio socialista em troca de concessões

Sébastien Lecornu speaking in parliament ahead of surviving two no-confidence votes on Monday.
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  • O orçamento deste ano foi aprovado na França após meses de negociações e de várias votações de desconfiança contra o governo minoritário.
  • O primeiro-ministro Sébastien Lecornu articulou a aprovação usando poderes constitucionais que não demandaram voto no parlamento; o governo enfrentou, porém, novas moções de desconfiança.
  • O acordo com o Partido Socialista incluiu a suspensão das mudanças de pensão propostas por Macron, em troca de não votar contra o governo.
  • O orçamento prevê aumento de gasto com defesa em 6,5 bilhões de euros e mira reduzir o déficit para 5% do PIB em 2026 (de 5,4% em 2025).
  • O impasse político vem desde a eleição de 2024, com o parlamento fragmentado, eleições municipais no próximo mês e a eleição presidencial de 2027 no horizonte.

O governo francês aprovou o orçamento deste ano após meses de tramitação e várias moções de confiança. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu utilizou poderes constitucionais para evitar votação no Parlamento. A manobra chegou com o apoio de parte da oposição.

A aprovação ocorreu em meio a semanas de incerteza política, com o país sob pressão de mercados e parceiros europeus. A manobra permitiu manter a previsibilidade fiscal sem abrir espaço para nova crise fiscal.

Lecornu classificou o orçamento como avanço estratégico, destacando aumento de gastos com defesa em 6,5 bilhões de euros. O objetivo é reduzir o déficit de 5,4% para 5% do PIB em 2026.

A Socialist Party concordou em não votar contra o governo, em troca de concessões, incluindo a suspensão de reformas de pensões propostas por Macron. A retirada de tais mudanças facilitou a obtenção do apoio necessário.

Hervé Saulignac, deputado socialista, afirmou que o partido cumpriu seu papel, evitando piora da situação econômica. Sem orçamento, o país poderia enfrentar maior incerteza financeira.

O objetivo orçamentário de 2026 envolve manter a trajetória de gasto público, com avaliações divergentes sobre a viabilidade da meta sem as reformas de pensões. A oposição é cética quanto aos números.

Desde a chamada de eleições rápidas em 2024, a França enfrenta impasse político, com balanços apertados no Parlamento e instabilidade que ganhou contornos europeus. O governo busca agora avançar com outras medidas.

Nas próximas semanas, a agenda inclui propostas para proteger agricultores e discutir a legislação sobre morrer com dignidade e atendimento paliativo. A conjuntura política permanece delicada.

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