- A liderança iraniana teme que um ataque dos EUA reacenda protestos e fragilize o regime.
- Em reuniões de alto nível, o líder supremo Ayatollah Ali Khamenei foi informado de que a revolta pública, após a repressão de janeiro, já não é contida.
- Um oficial disse que muitos iranianos estariam prontos para enfrentar as forças de segurança, e que uma pressão externa poderia estimular novos protestos e infligir danos ao establishment.
- Fontes dizem que adversários buscam ampliar as manifestações para derrubar a república islâmica; haveria mais violência se houver novo levante.
- Um ex-funcionário moderado declarou que a ira popular está maior desde os acontecimentos de janeiro, e que um ataque dos EUA poderia levar a uma nova onda de protestos.
O Irã teme que um eventual ataque dos EUA reacenda protestos e coloque em risco o regime, após uma repressão sangrenta contra manifestações antigovernamentais. Autoridades afirmam que líderes discutem cenários em que a pressão externa possa ampliar a indignação pública.
Segundo seis funcionários atuais e ex oficiais, em reuniões de alto escalão o tema foi apresentado ao AI Khamenei. Eles indicaram que a ira popular atingiu um nível que não aceita mais a dissuasão, mesmo diante de riscos atribuídos à repressão.
Os relatos indicam que o líder recebeu informações de que muitos iranianos estariam prontos para enfrentar novamente as forças de segurança, e que pressões externas limitadas, como um ataque dos EUA, poderiam estimular protestos e causar danos irreversíveis ao establishment.
Um dos informantes disse que inimigos do Irã buscam ampliar as manifestações para derrubar o sistema islâmico, com possibilidade de mais violência se houver novo levante. A identidade dos interlocutores foi mantida em sigilo.
A reportagem aponta que as preocupações privadas divergem da posição pública de Tehran, que tem adotado tom firme diante dos manifestantes e do apoio norte-americano. O Ministério das Relações Exteriores iraniano não comentou o relato.
Fontes informaram à Reuters que o presidente dos EUA, Donald Trump, avalia opções contra o Irã, incluindo ataques direcionados a forças de segurança e lideranças, para inspirar protestos, enquanto autoridades israelenses e de países árabes questionam se apenas o uso de fogo aéreo é capaz de derrubar o regime.
Um ex‑alto funcionário moderado afirmou que a situação mudou desde a repressão de início de janeiro, quando os protestos foram contidos com letalidade. Segundo ele, a muralha do medo pode ter ruído, aumentando o impulso popular.
Tensões entre Teerã e Washington se agravam com a chegada de uma força naval dos EUA ao Oriente Médio, ampliando a possibilidade de ação militar caso haja necessidade. A discussão ocorre no contexto de tentativas de reativar o diálogo sobre o programa nuclear.
Alguns oposicionistas que já integraram o establishment alertam que a raiva pública poderia levar à desestabilização do sistema islâmico. Um ex-primeiro-ministro afirmou que o custo humano de uma escalada pode ser alto e que o “jogo está chegando ao fim”.
Durante as manifestações de janeiro, autoridades iranianas disseram ter enfrentado violência de supostos terrorists vinculados a potências estrangeiras. Observadores destacam que o país continua sob forte pressão internacional e interno desafiado pela economia e pela corrupção.
Moradores de Teerã contam que a população segue abalada pela repressão e pela perda de vidas em janeiro. Um homem cuja família foi atingida pela violência afirmou que, se o país for atacado, muitos devem voltar às ruas para buscar justiça pela morte de seus entes queridos.
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