- Israel notificou a expropriação de 182 hectares (450 acres) no sitio histórico de Sebastia, maior operação desse tipo desde a ocupação da Cisjordânia em 1967.
- Cerca de 3,5 mil palestinos que moram na região dependem do turismo no sítio e de oliveiras para o sustento.
- O projeto prevê centro de visitantes, estacionamento e uma cerca que isolaria as ruínas do restante da cidade, cortando o acesso aos olivais.
- Um novo acesso ao sítio deve permitir turistas entrarem direto de Israel, com expansão de um grande assentamento próximo, a apenas um quilômetro do local.
- Críticos e defensores apontam que a medida é parte de uma expansão de assentamentos e que o foco em uma única época histórica desrespeita a história complexa da região.
Em Sebastia, no coração da Cisjordânia, autoridades israelenses anunciaram a expropriação de 182 hectares do sítio arqueológico próximo à cidade. A medida, divulgada em novembro, envolve todo o complexo histórico ao lado do centro da vila e inclui planos de infraestrutura que podem separar a área do restante da localidade.
O projeto prevê um centro de visitantes, um estacionamento e uma cerca que isolaria as ruínas do restante do território habitado. A expropriação é a maior já registrada para fins arqueológicos desde a ocupação da West Bank, em 1967, segundo moradores locais.
A população local, de cerca de 3,5 mil pessoas, depende do turismo ligado ao sítio e das oliveiras para a economia. A notícia gerou apreensão entre residentes, que veem o plano como restrição de acesso às fontes de sustento e aos sítios históricos.
Reação local e contexto
Críticos afirmam que a medida é parte de uma expansão de assentamentos na West Bank, promovida pela coalizão de governo de Israel. Segundo eles, a justificativa histórica é usada de forma pretextual para ampliar o controle territorial.
A imprensa israelense aponta Sebastia como possível capital de Samaria, uma das entidades históricas associadas a territórios bíblicos. O projeto de reurbanização incluiu a construção de uma nova via de acesso que dispensaria a passagem pela vila, facilitando a entrada de turistas vindos de Israel.
Especialistas e organizações de defesa do patrimônio denunciam a instrumentalização da arqueologia. Alegam que ações assim servem para favorecer interesses de anexação territorial, acima da preservação compartilhada do patrimônio.
A área foi identificada por autoridades como parte do que os defensores descrevem como o parque nacional Shomron. Organizações locais destacam que o sítio carrega camadas de ocupação que vão desde o período israelita antigo até a era otomana, passando por Bizâncio e Higiene era romana.
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