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EUA retiram Nicolás Maduro e impactam o patrimônio venezuelano

Crise política eleva riscos aos sítios da UNESCO na Venezuela, incluindo Coro, Ciudad Universitaria de Caracas e Canaima National Park

Supporters of Nicolás Maduro last month protesting their leader’s toppling, the latest twist in the country’s long-running political crisis
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  • Em 3 de janeiro, Nicolás Maduro e a esposa Cilia Flores foram capturados e extraditados pelos Estados Unidos, elevando a atenção internacional à crise política na Venezuela e aos recursos do país.
  • Coro, no estado de Falcón, é um Patrimônio Mundial da Unesco desde 1993; a cidade tem arquitetura de adobe, bahareque e tápia, com mistura de estilos coloniais, mudéjar e tradições indígenas.
  • Canaima National Park, maior sítio venezuelano na lista da Unesco, abriga tepequís, biodiversidade e as Cataratas do Angel; o parque enfrenta riscos como queimadas, mineração e conflitos com comunidades Pemón.
  • Ciudad Universitaria de Caracas, reconhecida pela arquitetura modernista de Villanueva, também enfrenta pressão de expansão urbana e precisa de zona tampão para proteção.
  • A ONG SOSOrinoco acusa expansão de mineração — inclusive além das áreas designadas — com suposto envolvimento de empresas de fachada e autoridades; a Unesco monitora a situação, sem apontar ameaças imediatas aos sítios.

Since the US military, acting under the White House, captured Venezuelan president Nicolás Maduro and his wife on 3 January, international attention se concentra nas consequências políticas para a Venezuela e seu patrimônio. A nação, com três sites reconhecidos pela UNESCO, vive incertezas sobre o futuro cultural diante da crise geopolítica.

Coro, cidade portuária no noroeste, remonta a 1527 e foi a primeira a conquistar independência da Espanha na América do Sul. Segundo a UNESCO, o conjunto destaca-se pela arquitetura de barro e técnicas como bahareque, adobe e tapia, mantidas até hoje. A mistura de estilos coloniais, Mudéjar e tradições indígenas compõe seu valor único.

Coro integrou a lista de Patrimônio Mundial em Perigo desde 2005, devido a riscos ambientais, fragilidade de materiais e desenvolvimentos inadequados. Inundações em 2004-2005 intensificaram os danos, enquanto a falta de planejamento preservacionista agrava as vulnerabilidades.

A cidade de Caracas abriga o Ciudad Universitaria, projetado por Carlos Raúl Villanueva entre 1940 e 1960, considerado exemplo marcante de Modernismo. O campus reúne inúmeras obras de arte e arquitetura em concreto, além de espaços como a Aula Magna com obras de arte incorporadas ao sistema acustlcal.

A UNESCO aponta, ainda, desafios para o espaço universitário, como expansão urbana nas bordas sul e oeste, exigindo criação de zona de amortecimento para a preservação. O conjunto não está na lista de Patrimônio em Perigo, mas demanda proteção adicional.

O terceiro sítio venezuelano é o Canaima National Park, no sudeste de Bolívar, conhecido por tepuis, biodiversidade e pelas Cataratas Angel. O parque, de cerca de 3 milhões de hectares, enfrenta riscos como queimadas, mineração legal e ilegal, e conflitos entre a guarda nacional e comunidades Pemón.

A SOSOrinoco, grupo de especialistas que atua de forma anônima por segurança, acusa impactos da mineração ilegal sobre o patrimônio natural, incluindo Canaima. A organização afirma que áreas designadas para mineração vieram a abranger espaços protegidos, com uso de empresas de fachada e atores irregulares.

A crise política dificulta o contato com profissionais de patrimônio e a avaliação de riscos. Em nota, a UNESCO diz monitorar a situação e agir conforme necessário, sem indicar ameaças imediatas a sites venezuelanos, com base nas informações disponíveis.

História de negligência histórica

Venezuela enfrenta fragilidades em governança do patrimônio desde décadas, com impactos em planejamento de uso do solo e políticas culturais. A documentação de herança pré-hispânica exige maior divulgação e educação pública para visibilidade internacional.

O país passou por modernização acelerada e expansão urbana movida pelo petróleo entre as décadas de 1920 a 1980, muitas vezes sem avaliações formais de impacto em patrimônio. Fortificações, cidades históricas e sítios arqueológicos foram afetados por obras e expansão agrícola.

Ao longo do início do século, organizações de conservação apontaram que o patrimônio venezuelano está em risco por abandono, intervenções inadequadas e degradação ambiental. Locais de arte rupestre e vestígios abertos sofreram danos antes do recente desfecho político.

Pesquisador aponta a relação entre crise atual e histórico desinvestimento. A falta de informação e educação sobre o patrimônio é citada como principal entrave para proteção efetiva. Estudos em Canaima buscam ampliar conhecimento e educação pública.

A equipe de Pérez-Gómez, atuando há 15 anos em Canaima, registrou pictogramas e cerâmicas que sugerem uma cultura antiga, possivelmente de 10 mil anos. Os pesquisadores esperam confirmar datação e ampliar a proteção, com eventual reconhecimento de Canaima como “paisagem cultural” pela UNESCO.

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