- Ministérios evangélicos na Europa atuam no combate à exploração sexual, adaptando abordagens conforme a legislação de cada país.
- Em Bologna, Itália, Cristhina coordena a Vite Trasformate, programa com foco em mulheres e crianças traficadas para exploração sexual, que nasceu de um trabalho de bairro em igreja.
- A Itália tem um “estado de ambiguidade” legal: a venda de sexo é permitida, mas bordéis e abordagem em público são proibidos, deixando as vítimas vulneráveis e mal protegidas.
- Dados da União Europeia indicam que a exploração sexual é a forma mais comum de tráfico, com rings criminosos mobilizando pessoas de fora da UE; muitas vítimas vêm da Nigéria ou da Europa Oriental.
- Em outros países, como Hungria, organizações como Set Free trabalham com conscientização e educação; a coordenação europeia é vista como essencial para ampliar prevenção, cuidado e ressocialização.
A atuação das principais iniciativas evangélicas contra o tráfico de pessoas varia conforme as leis de cada país, o que determina o foco local de cada organização. Em Bologna, Itália, Cristhina coordena uma intervenção que acompanha mulheres traficadas para exploração sexual, conectando-as a serviços de apoio e abrindo espaço para a retaguarda social.
Cristhina chegou à cidade há mais de uma década, vindo da Colômbia e da Flórida. Ao chegar, encontrou prostituição em locais públicos e uma rede de apoio comunitário de uma igreja. O objetivo era ouvir, acolher e oferecer saída, segundo relata a líder da ação de rua.
Em 2011, o trabalho ganhou status de ministério, com a criação da Vite Trasformate, voltada a mulheres e crianças expostas à exploração sexual. A iniciativa nasceu de um programa da igreja local, que já orientava jovens sobre redes de proteção antes de se tornar um programa formal.
O movimento evangélico europeu contra o tráfico teve impulso americano. Em cidades como Roma, Amsterdam e Berlim, o esforço ganhou estrutura e passou a contar com treinamentos recebidos de ministérios de outros países, incluindo os EUA. Hoje a atuação é visível em várias capitais.
Entre os desafios, Cristhina aponta a diferença legal sobre prostituição na Europa. Na Itália, a venda de sexo é tolerada, mas a exploração pública é proibida. Essa ambiguidade deixa mulheres vulneráveis e facilita situações de exploração sem proteção adequada.
Dados da UE indicam que a exploração sexual é a forma mais comum de tráfico de pessoas, respondendo por quase metade das vítimas registradas em 2024. Traficantes costumam atuar de forma móvel, explorando vulnerabilidades de estrangeiras.
Cristhina descreve que muitas vítimas vêm da Nigéria ou da Europa Oriental, movidas por redes que utilizam redes sociais para atrair as vítimas com promessas falsas de trabalho e estudo. Em muitos casos, entretanto, o controle sobre dinheiro e movimentos persiste.
A resposta de Vite Trasformate envolve acompanhar pacientes a consultas, ajudar com documentos, encaminhamentos a abrigos e treinamento profissional. Após a pandemia, o grupo passou a atuar por telefone e pela internet, alcançando novas populações.
Em paralelo, em Budapeste, a ONG Set Free atua em quatro cidades da Hungria, com foco na educação e na prevenção. A organização enfatiza a necessidade de cooperação europeia para ampliar ações de proteção e cuidado a vítimas, inclusive com projetos transnacionais.
Especialistas criticam parte da cobertura evangélica sobre tráfico, ao associar medidas de redução de danos a discursos morais. Ainda assim, Cristhina defende que o trabalho da Vite Trasformate não impõe crenças religiosas, deixando espaço para mulheres de diferentes fés.
Apesar dos avanços, o trabalho de recuperação é lento. Mulheres mais velhas ou migrantes enfrentam trajetórias longas de reconstrução de vida. Não há relatos de conclusão, apenas progresso gradual na dignidade e na autonomia.
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