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Mulheres palestinas relatam jornada de horror ao retornar a Gaza

Mulheres palestinas relatam retorno a Gaza com interrogatórios e intimidação; apenas doze atravessaram na abertura da fronteira, após atrasos e confisco de presentes

Huda Abu Abed, 56, at a tent shelter after returning to Gaza through the Rafah crossing, in Khan Younis
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  • Na primeira abertura do posto Rafah, apenas doze pessoas retornaram a Gaza entre as cinquenta previstas para atravessar no dia.
  • As retornadas incluíram três mulheres e nove crianças; mais 38 pessoas ainda estavam à espera de liberação ao fim do dia.
  • Relatos de duas mulheres descrevem ter sido vendadas, algemadas e interrogadas por forças israelenses ao entrarem em Gaza, após saírem do Egito.
  • Também houve atrasos na travessia e confisco de presentes, como brinquedos, levados como souvenirs.
  • O Exército de Israel negou conduta inadequada, afirmando que houve um procedimento de identificação e triagem no centro Regavim, sob controle de forças de segurança e com supervisão de autoridades europeias.

Palestinas que conseguiram retornar a Gaza após a reabertura gradual da passagem de Rafah relataram terem sido vendadas, algemadas e interrogadas por forças israelenses durante o percurso desde o Egito. O retorno ocorreu na segunda-feira, em meio a atrasos e à zona de controle israelense conhecida como linha amarela.

Apenas 12 pessoas passaram para Gaza na manhã de segunda, com 3 mulheres e 9 crianças liberadas até o fim do dia. Outras 38 pessoas aguardavam liberação para a passagem, segundo fontes palestinas e egipcianas. Presentes estavam sobretudo pacientes que buscavam tratamento médico.

Segundo relatos, as retornadas enfrentaram confisco de presentes, como brinquedos, na fronteira. Uma das mulheres descreveu a experiência como de grande constrangimento, destacando a distância entre a família e a cidade de origem.

Interrogatório e controle na zona de fronteira

Após cruzarem para o lado de Gaza, as mulheres seguiram num ônibus até a área controlada por milícias aliadas a Israel. Foram acompanhadas por veículos 4×4 de guardas, identificados como integrantes da Popular Forces, o braço militante conhecido como Abu Shabab.

Relatos indicam que as mulheres tiveram seus nomes lidos a viva voz e foram conduzidas por dois homens e uma mulher da milícia a um posto de segurança, onde houve o contato com forças israelenses. Afirmam ter sido usadas perguntas sobre Hamas e ataques de 2023.

A defesa israelense negou abusos ou maus-tratos e informou que houve um processo de identificação e triagem no centro de Regavim, sob gestão de estruturas de segurança, com monitoramento de especialistas europeus.

Contexto e cenário na fronteira

Rafah é a principal rota de saída de Gaza, que permanece sob restrições de acesso durante o conflito. O controle segue parcialmente mantido pela linha amarela, com a atuação de milícias locais. O objetivo declarado é facilitar a passagem médica, mas a operação tem gerado relatos de violações.

A reorganização recente envolve a liderança da milícia Popular Forces, que passou a atuar sob o comando de Ghassan Dahine após a morte de Yasser Abu Shabab. Autoridades israelenses destacam que o controle segue em parte sob coordenação de mecanismos de monitoramento conjunto.

De acordo com fontes egípcias, cerca de 20 mil moradores de Gaza aguardam tratamento no exterior. Mesmo com a reabertura, o fluxo permanece limitado e sujeito a controles de segurança em várias etapas da travessia.

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