- Imagens de satélite e testemunhos indicam que forças israelenses demoliram parte de um cemitério de Gaza, abrigando tumbas de dezenas de soldados aliados da Primeira e da Segunda Guerras, incluindo britânicos e australianos, no bairro de al‑Tuffah, em Gaza City.
- A área afetada mostra remoção de filas de lápides, revolvimento do solo e um trecho deterreira elevada no centro da região demolida, sugerindo uso de máquinas pesadas.
- O ataque ocorreu após operações militares em que, segundo a IDF, o local era zona de combate e havia infraestrutura terrorista subterrânea; a área fora do muro do cemitério também foi atingida com retirada de oliveiras.
- A Commonwealth War Graves Commission e o Royal British Legion expressaram preocupação com a demolição de túmulas de soldados britânicos e aliados, destacando que os cemitérios devem ser respeitados.
- O conflito persiste em meio a uma linha amarela que separa Gaza controlada pelo Hamas da região sob controle israelense; desde o cessar-fogo, há relatos de ações militares e mortes entre civis.
Israeliana: parte do cemitério de Gaza com túmulos de aliados foi derrubada, segundo imagens de satélite e testemunhos. A área afetada fica no canto sudoeste do cemitério de al-Tuffah, em Gaza City, onde há sinais de obras de terraplanagem e uso de maquinário pesado.
As evidências mostraram que várias fileiras de lápides foram removidas, o solo superior revolvido e uma barreira de terra atravessa a área central. Em imagens de 8 de agosto, a área perturbada já era visível; em 13 de dezembro, o desmatamento ficou ainda mais marcado.
Essam Jaradah, ex-cuidador do cemitério, afirmou ter presenciado duas operações de sucção de terreno, uma fora dos muros e outra interna, em uma área de aproximadamente 1 mil m² no canto com túmulos australianos. Segundo ele, as máquinas criaram montes de areia usados como barreiras.
Reação das partes envolvidas
Um porta-voz do exército israelense disse que as ações ocorreram em meio a áreas de combate ativas, citando tentativas de ataque de grupos armados que teriam se refugiado perto do cemitério. Afirmou que infraestruturas terroristas subterrâneas teriam sido localizadas e desativadas.
O Royal British Legion, por sua vez, declarou tristeza com a violação de túmulos britânicos e de outras nações, ressaltando que os cemitérios de guerra devem ser tratados com respeito.
Contexto local e dados adicionais
Desde o cessar-fogo de outubro, Gaza permanece com uma linha amarela que delimita áreas sob controle israelense e do Hamas, com relatos de confrontos contínuos nas proximidades. Autoridades locais relatam dezenas de mortes, incluindo crianças, desde então.
A CWGC, responsável pela manutenção de cemitérios de guerra, informou que o cemitério de Gaza sofreu danos a lápides, memoriais e instalações. Relatos apontam prejuízos a memoriais de divisões britânicas e ao memorial indiano, além de danos a seções de comunidades hindu e turca.
Profissionais ou especialistas consultados destacam que o cemitério de Gaza é valorizado por comunidades australianas e britânicas, reconhecendo o significado histórico dos túmulos. O historiador Peter Stanley afirmou que, para muitos australianos, houve uma desrespeitosa desfiguração de jazigos na região.
Desdobramentos
A área incendiada ou danificada não apresenta sinais claros de restauração imediata. Observadores apontam que as obras dificultam o acesso a parte do cemitério e podem impactar as visitas de familiares e pesquisadores.
Funcionários da CWGC reiteraram o compromisso com a conservação dos memoriais, enquanto autoridades locais acompanham a resposta às denúncias de danos aos túmulos aliados. A situação permanece sob monitoramento das partes envolvidas.
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