- Em Riyadh, o museu Nacional de Arábia Saudita abriga a mostra Beginnings of Saudi Art Movement, até 11 de abril, reunindo mais de 250 obras de 73 artistas para mapear a história da arte moderna saudita entre as décadas de 1960 e 1980.
- A exposição marca a primeira vez que as obras-primas modernas do reino são reunidas em grande escala, com acervo acompanhado de material arquivístico e produção de catálogo e documentário.
- Entre os nomes-chave, destacam-se Mounirah Mosly e Safeya Binzagr, que promoveram a primeira exposição pública de mulheres artistas em Jeddah, em 1968.
- O país tem investido na cultura como parte da Vision 2030, com destaque para projetos como o Complexo Cultural de Diriyah e o projeto AlUla, que busca transformar a região em destino artístico global.
- No mercado, a Sotheby’s realizou segunda venda no reino em 31 de janeiro, com a obra Coffee Shop in Madina Road vendida por 2,1 milhões de dólares, recorde para uma artista árabe e indica crescimento do interesse por arte saudita moderna.
O Reino Saudita volta a olhar para sua história da arte moderna enquanto o mundo observa o Golfo. No National Museum of Saudi Arabia, em Riyadh, a mostra Beginnings of Saudi Art Movement traz mais de 250 obras de 73 artistas, em um recorte dos anos 1960 a 1980. A exposição evidencia a transformação social e o surgimento de apoio institucional à arte.
A curadoria, liderada pela Visual Arts Commission, ressalta o acervo e material de arquivo, com a coleta de depoimentos para um catálogo e documentário que já está em preparação. A mostra fica em cartaz até 11 de abril e marca a estreia desse conjunto de mestres modernos em grande escala no reino.
Mounirah Mosly e Safeya Binzagr são destacadas como pioneiras do período, incluindo a primeira exposição pública de mulheres em Jeddah em 1968. Mosly tornou-se a primeira artista saudita a ter exposições solo em Jeddah e Riyadh, nos anos 1972 e 1973.
Contexto de Transformação e Investimento cultural
Moumenah, sobrinha de Mosly, relembra a visão da tia sobre liberdade feminina e arte como caminho de expressão. O legado inspira iniciativas como a Fundação Future Institute de Educação Superior, voltada à qualificação de mulheres. A mostra reflete a aposta de longo prazo de Vision 2030 na cultura como motor de diversificação econômica.
A VAC vincula o projeto à estratégia de modernização do país, com o objetivo de ampliar o turismo cultural e fortalecer o setor criativo. Paralelamente, a iniciativa Diriyah alberga a Bienal e recebeu aportes relevantes, ainda que críticos apontem tensões entre metas culturais e direitos humanos.
Expansão do interesse internacional e do mercado
Em AlUla, o fourth edition do Desert X concentra-se na arte moderna, com cinco obras monumentais de Mohammed AlSaleem. As peças, feitas à mão, foram restauradas após terem estado armazenadas por décadas e voltaram a público em 2022, sob supervisão de Najla AlSaleem, filha do artista.
No mercado, as aquisições ganham peso. Em 31 de janeiro, Sotheby’s realizou a segunda venda na Arábia Saudita, incluindo obras de arte moderna. A peça Coffee Shop in Madina Road de Safeya Binzagr foi vendida por US$ 2,1 milhões, dez vezes acima da estimativa, impulsionando o recorde para a artista e ampliando a visibilidade regional.
As autoridades da Sotheby’s destacaram a consolidação do interesse de colecionadores locais, ressaltando que o leilão ajudou a promover artistas regionais a um público mais amplo, sem associá-lo a avaliações políticas. A VAC confirmou que colaborou com a casa de leilões em momentos da venda, mas ressaltou que os calendários foram coincidentes.
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