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Fim da velha ordem internacional redefine relações globais

Carney aponta ruptura da ordem internacional baseada em normas; aposta em realismo com valores e coalizões estratégicas para enfrentar a nova era global

Assembleia-Geral da ONU em setembro de 2025: cada vez menos relevante? (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)
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  • Diversos fatos internacionais são citados como sinais de fim da “ordem internacional baseada em regras”: intervenções dos EUA na Venezuela, tarifas impostas e ameaça de tomar a Groenlândia, além da guerra da Rússia contra a Ucrânia.
  • No Fórum de Davos, o primeiro-ministro canadense Mark Carney defende um realismo baseado em valores para lidar com a nova era, mantendo cooperação internacional sem retornar à antiga ordem.
  • Carney usa referências históricas para sugerir que fortes agem conforme sua vontade e que países devem abandonar a “mentira” de que podem viver sem agir diante dos fatos.
  • O premiê admite falhas da ordem baseada em normas, aponta aplicação assimétrica das regras de comércio e afirma que é necessário adaptar-se por meio de coalizões entre parceiros com pontos em comum.
  • O texto destaca a ideia de que o Canadá buscará parcerias estratégicas, como China, Catar e Índia, além de acordos com o Mercosul, para enfrentar os desafios da nova realidade internacional.

Diversos indicadores recentes alimentam o debate sobre o fim da “ordem internacional baseada em regras”. Ações dos EUA, como intervenção na Venezuela, tarifas e ataques a possíveis avanços diplomáticos, contrastam com a agressividade russa na Ucrânia. Analistas divergem sobre o real abandono do multilateralismo e a prevalência da lei do mais forte.

No Fórum de Davos, o primeiro-ministro canadense Mark Carney chamou atenção com um discurso que combina valores democráticos e realismo político. Ele afirma que vivemos uma ruptura da ordem internacional, não apenas uma transição; é preciso buscar novas soluções sem abandonar o Estado de direito.

Carney cita Václav Havel e a ideia de que o sistema se sustenta pela aparência de normalidade, como o slogan “Trabalhadores de todos os países, uni-vos!”. Segundo ele, chegou o momento de empresas e governos retirar seus “cartazes” e agir com clareza diante da nova realidade internacional.

Realismo baseado em valores

O premiê avalia que Canadá prosperou com normas internacionais, mas reconhece falhas: grandes potências desrespeitam regras quando convém, há aplicação desigual do direito e o comércio é regulado de modo seletivo. O argumento é de que o abandono das normas favorece regimes autoritários.

Para Carney, o caminho é o “realismo baseado em valores”: aceitar a nova política global sem perder cooperação. Ele também critica projetos de integração econômica que funcionam como pressão, via tarifas e cadeias de suprimentos.

O líder canadense defende que a resposta não é isolar-se, mas formar coalizões com parceiros que compartilhem valores e objetivos. A meta é construir formas de cooperação eficazes, mesmo diante de ações conflitantes de grandes potências.

O papel de estruturas multilaterais e o que vem a seguir

Entre temas em pauta, está a criação do chamado Conselho da Paz (CP), apresentado em Davos e com participação de dezenas de países. O CP é visto por seus proponentes como um instrumento para consolidar a paz, embora haja críticas sobre sua relação com a influência dos EUA.

Críticos lembram que a eficácia de organizações internacionais depende da vontade política dos estados. A proposta do CP levanta questões sobre poder decisório, financiamento e limites de atuação, especialmente se houver concentração de poder executivo.

A crítica ao direito internacional vigente

Alguns especialistas questionam se o CP representaria retorno ao direito internacional. Autores como Stacie Goddard e Abraham Newman veem tendência de lideranças autoritárias que não seguem regras, recorrem a suborno ou ameaça para ampliar domínio.

Outros, como Michael Ignatieff, preferem classificar essas lideranças como similares a mafias do poder, que não negociam com base em regras, mas buscam enriquecer seus regimes. A discussão aponta para um afastamento de normas estáveis.

A análise sugere que o cenário atual não oferece garantias automáticas de paz. Mesmo com maior prosperidade material em algumas regiões, os padrões de influência e violência persistem, mostrando limitações da lógica de poder econômico para sustentar a estabilidade.

©2026 Aceprensa. Publicado com permissão. Original em espanhol: El fin del viejo orden internacional.

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