- Planos de Gaza de Donald Trump preveem um “Board of Peace” com bancada executiva e comitê técnico palestino, supervisionando a gestão da região.
- O cessar-fogo não trouxe as condições humanitárias prometidas nem iniciou uma transição para recuperação; a população continua sob regime de permissões israelenses e com espaço de atuação de ONGs reduzido.
- As pessoas enfrentam violações diárias de acesso a bens básicos, com restrições de passagem e pontos de entrada controlados por Israel, prejudicando a entrega de ajuda e serviços.
- A meta de veículos de ajuda é de duzentos e cinquenta caminhões por dia, muito abaixo de referências anteriores, e números totais de caminhões não refletem conteúdos ou necessidades reais.
- Ataques, bloqueios a sanitarion e expulsão de ONGs internacionais em dezembro de 2025 ameaçam serviços humanitários críticos, enquanto demobilização do Hamas e projetos de “comunidades seguras” podem atrasar a recuperação real.
O jornalismo internacional continua a acompanhar a situação em Gaza após o cessar-fogo. Em Davos, a proposta de “Nova Gaza” foi apresentada como uma estratégia para governar a faixa com um conselho executivo e uma comissão técnica palestina, nomeada pela administração Trump, junto a representantes regionais. A ideia divide opiniões, com defensores afirmando que a arquitetura pode ajudar a encerrar o conflito e estabilizar a região.
Entretanto, a crise humanitária persiste de forma aguda. Quatro meses após o início do cessar-fogo, Gaza permanece sob regime de permissões israelense que agrava a privação, enquanto o espaço de atuação das agências humanitárias diminui. Nos últimos dias, a violência atingiu níveis elevados, com centenas de mortes registradas desde a implementação do cessar-fogo.
As autoridades de saúde palestinas informam que mais de 500 pessoas foram mortas por fogo israelense desde o início do cessar-fogo. O frio do inverno também agrava a situação, já que abrigos e ajuda permanecem limitados e as crianças sofrem com hipotermia em abrigos precários.
A denominada “zona vermelha” abriga aproximadamente 95% da população de Gaza, onde a situação humanitária continua crítica. Enquanto a luta diminuiu em intensidade, a fome não foi erradicada e a insegurança alimentar permanece alta, tornando a vida cotidiana vulnerável a qualquer interrupção de suprimentos.
Do lado israelense, o controle de áreas-chave limita o movimento de pessoas e mercadorias. A chamada “zona verde” cobre mais da metade do território, com presença militar líquida em muitos pontos. Zelas de aproximadamente 50 postos militares conectam áreas sob controle, contribuindo para deslocamentos e para uma gestão de fronteiras que dificulta a recuperação.
Em paralelo, o fluxo de importações tem sido restrito e pouco transparente. Apenas alguns comerciantes podem trazer mercadorias, com custos embutidos que alimentam inflação e salvaguardam um mercado negro. Sem recursos adequados, não há como viabilizar serviços básicos, como água potável, energia e tratamento de saúde.
Em dezembro de 2025, Israel informou que 37 ONGs internacionais teriam suas autorizações expiradas, exigindo novas condições de registro até março de 2026. Entidades como Médicos Sem Fronteiras, International Rescue Committee e Mercy Corps foram impactadas, gerando temores de interrupção de serviços de assistência humanitária, saúde e nutrição.
O ambiente para o que chamam de “Conselho de Paz” é coadjuvante à real necessidade de alívio imediato. Organizações humanitárias defendem que critérios objetivos sejam publicados semanalmente para acompanhar a abertura de pontos de passagem, entrada de itens essenciais e mobilidade de atores humanitários e trabalhadores palestinos.
O grupo de trabalho também deve evitar soluções de contorno orientadas ao setor privado que desvirtue a coordenação de ajuda. Experiências anteriores mostram que tais caminhos, centrados em lucros, falharam ao misturar política com logística. A resposta humanitária precisa ser liderada por organizações técnicas, com participação dos palestinos.
Outra linha de atuação envolve evitar planos de relocação em massa ou de criação de comunidades isoladas. Os recursos de recuperação devem chegar aos bairros e às cidades onde as pessoas vivem, com reparos habitacionais, remoção de escombros e restabelecimento de serviços essenciais.
Por fim, o conselho precisa conceder à comissão tecnológica prerrogativas para agir rapidamente: gestão de orçamentos, compras de itens básicos e coordenação de serviços municipais como energia, água, saneamento, saúde e abrigo. Sem melhorias rápidas, as promessas de avanços podem parecer apenas promessas.
A expectativa é que o cessar-fogo avance a ponto de permitir vitórias civis imediatas, especialmente no que diz respeito a serviços básicos. O desafio, porém, é que até o momento não houve sinal claro de mudanças estruturais que alterem significativamente a realidade cotidiana de milhões de pessoas em Gaza.
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