- Delcy Rodríguez anunciou que El Helicoide será fechado e transformado em centro esportivo, cultural e comercial para famílias de policiais e comunidades vizinhas, em Caracas.
- A mudança ocorre sob pressão dos Estados Unidos e faz parte de uma série de medidas apresentadas pela presidente interina como sinal de mudança no governo.
- O El Helicoide, conhecido como centro de tortura durante os regime de Chávez e Maduro, foi parte da Sebin e acumula críticas de organizações de direitos humanos.
- Ativistas dizem que a proposta apaga a história de repressão do país e pedem participação de organizações civis e de prisioneiros na discussão da anistia anunciada.
- A proposta de anistia envolve centenas de prisioneiros, mas críticos alertam que muitos ainda permanecem detidos, estimados entre 600 e 800, com condições de liberdade restritas.
El Helicoide, o centro de detenção situado em Caracas, será fechado e transformado em um espaço cultural, esportivo e comercial para famílias de policiais e comunidades vizinhas. A decisão foi anunciada pela presidente interina Delcy Rodríguez, que já comandou a prisão durante o governo de Maduro, sob pressão dos EUA.
A transformação faz parte de um conjunto de medidas apresentadas pela administração para indicar uma nova fase após a captura de Maduro. Ativistas, porém, afirmam que a mudança apaga uma história de repressão e busca apagar símbolos de abusos do passado.
O Helicoide é conhecido por sua estrutura brutalista e por ter sido ligado a práticas de repressão durante diferentes governos. Registros de torturas, choques elétricos e detenções sem provas foram documentados em relatórios de organismos internacionais, com o prédio sob comando direto de Rodríguez nos últimos anos.
Entre os presos considerados políticos, destaca-se Angel Godoy, engenheiro que passou nove meses no local. Ele afirma que a família não pôde contatar-no nos primeiros meses, e descreve a transferência posterior para outra prisão por motivos não especificados. Godoy foi libertado após 372 dias, mantendo, porém, restrições legais.
Estimativas de organizações da sociedade civil apontam que entre 600 e 800 prisioneiros políticos ainda permanecem detidos, mesmo com a anunciada proposta de anistia. A proposta de lei deve seguir para votação no parlamento, dominado por aliados do regime, sem data ainda definida.
A proposta prevê reduzir ou eliminar a punição para crimes específicos, com exceção de homicídios, segundo o governo. Defensores dos direitos humanos destacam a necessidade de participação de vítimas, ex-detidos e organizações civis. A discussão envolve também compensação para casos de prisões injustas.
Analistas veem a nova lei e a transformação do Helicoide como parte de um movimento de mudanças sob o que alguns chamam de chavismo 3.0, com críticas de que as medidas não garantem transparência nem participação ampla da sociedade.
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