- Western europeans apontam maior autonomia europeia e valorizam a independência em relação aos laços transatlânticos, segundo pesquisa da YouGov.
- Em seis países — Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Espanha e Reino Unido — houve maioria de opinião desfavorável aos Estados Unidos.
- Percentuais desfavoráveis variaram de 62% na França a 84% na Dinamarca; houve aumento desde novembro.
- A pesquisa mostra que mais europeus não veem os EUA como aliado, com queda acentuada em vários países, especialmente na Dinamarca.
- Mesmo diante das críticas, muitos veem potencial para maior integração europeia e apoio à defesa comum, com variações sobre gastos militares e relações com outras potências.
Desde a Groenlândia, a tensão entre a União Europeia e os Estados Unidos volta a ganhar o centro da pauta. Uma pesquisa da YouGov revela que, em seis países europeus, há maioria de opinião desfavorável aos EUA e apoio à afirmação europeia de autonomia, mesmo diante de conflitos com a administração de Donald Trump.
A sondagem mostra resistências crescentes aos laços transatlânticos entre franceses, alemães, italianos, espanhóis, britânicos e dinamarqueses. Em Denmark, 84% veem os EUA de forma desfavorável, e na França o índice chega a 62%. Os números superam o levantamento anterior, realizado em novembro.
O estudo também aponta queda no sentimento de que os EUA continuam sendo um aliado. Em todos os seis países, menos pessoas consideram os EUA como parceiro, com recortes mais expressivos entre os dinamarqueses, que passaram de 80% a menos de 26% nessa avaliação.
Entre os temas de política externa, a percepção geral é de que a Europa depende menos dos EUA na defesa e no comércio. Ainda assim, entre 59% e 74% concordam com a avaliação de Trump de que a Europa é demasiado dependente da defesa norte-americana.
A Greenlandalça de temperatura no debate internacional parece ter concentrado reflexões sobre autonomia europeia. Em todos os países, entre 41% e 55% defendem que a autonomia europeia deve prevalecer sobre a aliança transatlântica, em linha com o foco em independência estratégica.
Apesar disso, há consenso em manter certas relações estáveis. A grande maioria não está disposta a tolerar políticas de restrição de expressão sem contestação. Além disso, poucas pessoas compartilham a visão de que a UE tenha sido injusta em termos de comércio com os EUA.
Alguns líderes europeus já defenderam que a UE use seu peso econômico com mais firmeza nas negociações com os EUA. O levantamento mostra, porém, que a maioria dos respondentes julga o poder econômico, diplomático e militar dos EUA mais forte que o europeu.
Quando o assunto é resposta prática a mudanças na relação, entre 63% e 78% entendem que a defesa europeia e a paz ainda dependem dos EUA, e 49% a 64% pensam o mesmo em relação ao uso da prosperidade europeia.
A maioria acredita que, se a relação se deteriorar, o impacto seria negativo para a Europa. Entre os dados, a vontade de aumentar os gastos com defesa aparece em britânicos, dinamarqueses, franceses e alemães, com variações regionais.
Quanto a medidas específicas, os respondentes não são favoráveis a ampliar acordos que favoreçam o US em detrimento da Europa, nem a financiar plenamente as forças armadas norte-americanas na Europa. Há apoio para manter a coesão da UE e evitar dissidências.
Em relação ao futuro, muitos europeus ainda esperam que a política externa dos EUA retorne ao eixo anterior após a saída de Trump. Mesmo com esse cenário, há apoio para maior integração política na Europa, com maior poder de decisão para a UE.
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