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Governo prevê postura recatada de Trump nas eleições brasileiras

Governo aposta na proximidade com Trump como proteção contra interferência externa, sem ignorar a volatilidade do presidente e a nova doutrina de zonas de influência

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático - ASEAN em Kuala Lampur, Malásia. — Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República
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  • O governo Lula passou a esperar uma atuação mais recatada dos Estados Unidos nas eleições brasileiras, devido à boa relação pessoal entre Lula e Donald Trump.
  • Diplomatas acreditam que não haverá tentativas de influência direta no pleito nem apoio explícito a candidatos da direita, pelo menos até a votação.
  • Embora haja otimismo, há percepção de que Trump é volúvel, o que leva o Brasil a manter estratégia para preservar a proximidade com a Casa Branca.
  • Em dezembro, os Estados Unidos divulgaram nova doutrina de segurança nacional apontando zonas de influência, o que reforça a ideia de possível interferência em processos internos de países na região.
  • O Planalto busca destacar cooperação com os Estados Unidos para combater o crime organizado, vendo segurança pública como tema central do próximo pleito e tentando neutralizar a oposição bolsonarista.

O governo brasileiro mudou a leitura de como a Casa Branca deve se portar diante das eleições no Brasil. A diferença mais visível é o otimismo com a relação estável entre Lula e Donald Trump, sem sinal de interferência direta ou apoio explícito a candidatos de direita.

Diplomatas do Planalto avaliam que a proximidade entre Lula e Trump atua como uma proteção. A percepção é de que o tom tem sido mais contido e cordial, o que reduz o risco de ações que favoreçam o campo conservador nas eleições.

Apesar do ânimo, líderes do governo destacam que Trump é visto como volátil. Em razão disso, o Brasil busca manter a guarda alta e conduzir tratativas com a Casa Branca de forma estratégica, evitando surpresas.

A relação pessoal entre os dois presidentes é apontada como elemento de blindagem. A cordialidade observada nos últimos meses é citada como fator que ameniza pressões internas e externas.

Em julho do ano passado, o bloqueio tarifário imposto pelos EUA ao Brasil foi interpretado por ministros como uma tentativa de forçar mudança de regime. Na época, havia receio de favorecer Jair Bolsonaro ou desgastar Lula.

Mesmo com relaxamentos posteriores, a desconfiança permaneceu entre o governo brasileiro. A ideia era que Trump poderia atuar para apoiar um candidato direto, mais alinhado com Washington, no decorrer do processo.

Lula e Trump já se falaram por telefone e se encontraram na Malásia. Esse histórico de encontros fortalece a percepção de cooperação entre as duas lideranças, conforme avaliação de diplomatas.

Zonas de influência

Em dezembro, o Departamento de Estado dos EUA apresentou uma doutrina que privilegia zonas de influência. Nesse cenário, a América Latina passa a ser mais suscetível a ações de Washington.

Fontes diplomáticas ressaltam a volatilidade da relação bilateral e a necessidade de manter a proximidade com a Casa Branca como estratégia de proteção. O foco é evitar que a oposição bolsonarista aproveite o tema.

Até as eleições, o Planalto trabalha para ampliar cooperação com os EUA em segurança pública. A meta é transformar esse tema em ponto de debate e desarmar ataques da oposição, segundo informações de fontes oficiais.

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