- A Faber-Castell acusa o governo da Costa Rica de usar a antiga fábrica doada pela empresa para deter imigrantes deportados dos EUA, em vez de abrigá-los.
- A fábrica foi cedida em 2018 com contrato que previa “refúgio para migrantes” e não poderia mudar de finalidade; o local passou a funcionar como Centro de Atención Temporal para Migrantes (Catem).
- Em 2025, cerca de duzentos deportados dos EUA ficaram detidos no Catem por pelo menos dois meses, incluindo mais de setenta crianças; a HRW apontou detenção sem base legal.
- O governo costa-riquense nega violações, afirmando que os migrantes tinham entrada temporária por razões humanitárias e que o Catem era para estadia provisória.
- A Faber-Castell disse não saber da detenção até ser contatada pelo Guardian e reiterou que o uso da área era para abrigo humanitário, conforme contrato original.
O fabricante de lápis mais relevante do mundo afirmou que o governo da Costa Rica estaria usando uma antiga fábrica, doada pela empresa para fins humanitários, como centro de detenção de requerentes de asilo deportados pelos EUA na gestão Trump. A empresa diz não ter conhecimento do uso indevido até ser procurada pelo Guardian.
A Faber-Castell produzia mais de 2 bilhões de lápis por ano e mantinha uma fábrica no sul da Costa Rica, próximo a Panamá. Ela fechou a unidade em 2013 por fatores econômicos. Em 2018, o espaço foi doado ao governo para acolher migrantes, conforme contrato com o ministério da Segurança Pública, enviado à imprensa pela Guardian.
O acordo estabelecia que o imóvel funcionaria como abrigo para migrantes, sem alteração do propósito. Até 2024 não havia registro de detenção no local, segundo a empresa. Em 2025, porém, 200 deportados dos EUA foram encaminhados ao Catem, prédio que recebeu o nome de Centro de Atención Temporal para Migrantes.
Catem e detenção de deportados
Relatórios de direitos humanos indicaram que migrantes ficaram meses no Catem, apesar de a instalação ter sido pensada para estadias de poucos dias. A Human Rights Watch ouviu relatos de detidos e concluiu haver detenção sem base jurídica. O governo da Costa Rica nega que haja detenção.
O ministério da Segurança Pública informou que os deportados eram estrangeiros que não tinham visto obrigatório para entrar no país. Segundo a pasta, por questões humanitárias, eles tiveram entrada permitida e, por isso, foram transferidos ao Catem, com permanência temporária.
Relatos de um deportado russo identificaram duração prolongada da retenção, sem informações claras sobre direitos ou assistência legal. Em junho de 2025, o poder judiciário Costa-riquenho reconheceu violação de direitos e determinou compensação aos afetados. A instituição afirmou que a detenção não estava prevista no uso do espaço.
A Catem tem capacidade para 300 pessoas. Em 2026, apenas 60 pessoas haviam sido acolhidas até janeiro. A Guardian informou que o Catem permanece sob avaliação de autoridades e de organizações internacionais. A Faber-Castell não respondeu sobre ações adicionais.
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