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Nômades sudaneses presos enquanto guerra alimenta banditismo e divisões étnicas

Nômades árabes ficam presos no deserto próximo a al-Obeid, sob ataques de bandidos e tensões étnicas alimentadas pelo conflito entre forças armadas e RSF

Nomadic herders sitting on a bed made of tree trunks inside their tent, North Kordofan
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  • Nomadas árabes no norte de Kordofãnia estão presos no deserto próximo a al-Obeid, devido à guerra entre o exército sudanês e as RSF e ao aumento de violência étnica.
  • A guerra já deixou quase 14 milhões de pessoas deslocadas e provocou fome e doenças, alterando rotas de vida e propriedades de terra e animais.
  • Moradores dizem que mercados e caminhos entre mercados, fontes de água e pastagens secaram, aumentando o risco para quem depende de rebanhos.
  • Banditismo e roubo de gado se intensificam, dificultando a locomoção dos nomadas na região de North Kordofan.
  • Especialistas destacam a necessidade de um programa nacional para combater discurso de ódio, reforçar o estado de direito e promover reconciliação social.

Gubara al-Basheer e a família costumavam viajar pelo deserto de Sudão com seus camelos e gado, movendo-se entre mercados, fontes de água e pastagens.

Com o início da guerra em 2023, eles ficaram presos no deserto fora da cidade de al-Obeid, no Norte de Kordofan, expostos a ataques de bandidos e a tensões étnicas.

O conflito entre o exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido (RSF) provocou deslocamento de cerca de 14 milhões de pessoas e desencadeou episódios de violência étnica, fome e doenças, segundo fontes de campo.

A situação abala estruturas de posse de terra e das rotas de pastagem que sustentavam os nomads e seus laços com comunidades locais, conforme o pesquisador Ibrahim Jumaa.

Para os camponeses-nômades, o aumento de hostilidade e a violência online intensificaram o isolamento.

Alguns moradores na região afirmam que antes havia mercados onde podiam comprar e vender sem rejeições, mas hoje não há espaço seguro para se deslocar.

RISCO DE ROUBOS E CONFLICTO

Além da guerra, os nomades enfrentam o assédio de bandidos que roubam rebanhos, dizem moradores de al-Obeid.

O RSF, originado de milícias árabes, tem sido apontado por organizações internacionais como responsável por abusos em Darfur nos últimos anos, especialmente envolvendo conflitos por terras.

O grupo nega responsabilidade por violações étnicas cometidas por indivíduos ligados a ele e afirma que os culpados serão responsabilizados.

Mesmo entre tribos árabes, nem todos aderiram ao conflito, e muitos membros continuam buscando vias de reconciliação e respeito ao estado de direito, conforme o pesquisador Jumaa.

Especialistas defendem a necessidade de programas nacionais para combater o discurso de ódio, fortalecer a lei e promover a reconciliação social, diante da ruptura na convivência comunitária.

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