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O verdadeiro risco após o New START não é a corrida armamentista

Com New START morto, a verificação de arsenais nucleares fica mais difícil e a confiança entre EUA e Rússia pode se deteriorar, dificultando futuros tratados

The Spain Hall of the Prague Castle is prepared ahead of a meeting between U.S. and Russian leaders, where the New START nuclear arms control will be signed, in Prague on April 6, 2010.
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  • New START está considerado morto, removendo limites legais para EUA e Rússia ampliarem seus arsenais; há interesse de criar um acordo com a China, porém sem perspectiva clara.
  • Sem o tratado, a verificação fica mais difícil e a confiança entre as potências tende a diminuir, especialmente com avanços tecnológicos de monitoramento remoto e ciberataques.
  • A China já adota postura de ocultação e preparação sigilosa de suas armas nucleares, o que dificulta qualquer verificação sob acordos anteriores.
  • A possibilidade de ampliar operações e bases nucleares sem limitações aumenta o risco de mudanças de postura que minem futuras negociações de controle de armas.
  • Se as negociações demorarem, o processo para um novo tratado multilateral pode levar anos ou até décadas, tornando mais difícil retornar a mecanismos de verificação.

O acordo nuclear New START, o último grande tratado de controle de armas entre EUA e Rússia, foi formalmente considerado encerrado. Sem o acordo vigente, não há mais limites legais para ampliar arsenais; resta saber como cada país poderá agir diante da ausência de supervisão.

A retirada do New START apressa dúvidas sobre verificação e confiabilidade. Washington questiona o cumprimento russo, enquanto a gestão norte-americana sinaliza a possibilidade de estruturar um novo marco que envolva a China, conforme comentários anunciados nos últimos meses.

A curto prazo, não se observa uma corrida arms race evidente entre as duas potências. Ambos enfrentam atrasos na modernização de forças e instalações, o que dificulta ampliar significativamente o número de mísseis implantados de imediato. A China, por sua vez, também registra entraves tecnológicos na produção de plutônio.

A queda do tratado muda a lógica de transparência entre os países. Históricos mecanismos de verificação ajudavam a definir bases de mísseis, locais de implantação e preparo de armas, com o objetivo de reduzir desvios. Hoje, tecnologias de sensoriamento remoto e cibersegurança elevam o risco de exposição de vulnerabilidades.

Especialistas destacam que a ausência de um regime de verificação pode incentivar mudanças nas medidas de dissimulação de forças nucleares, como deslocamentos mais frequentes e a operação a partir de locais não declarados. Esse cenário aumenta a incerteza e dificulta futuras negociações.

A possibilidade de incluir a China em qualquer acordo é apontada como um obstáculo-chave. A entrada de um terceiro signatário pode exigir formatos de verificação incompatíveis com as bases de atuação de Pequim, dificultando acordos tripartites.

Secretários de Estado e fontes oficiais citadas indicam que qualquer negociação de um novo acordo pode levar anos. Mesmo com a intenção de manter alguma forma de controle, o tempo necessário para convergir posições entre três grandes potências é um desafio relevante.

O que está em jogo não é apenas o tamanho imediato dos arsenais, mas a manutenção da confiança entre Estados. A evolução tecnológica tende a favorecer posturas de maior sigilo e controle, o que pode comprometer futuras tentativas de verificação e retorno a tratados de desarmamento.

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