- Um grupo de investidores católicos, liderado por padres jesuítas, disse que a GEO Group rejeitou uma votação de acionistas para revisar suas práticas de direitos humanos em instalações da ICE.
- A GEO afirmou que há engajamento contínuo com acionistas há décadas e que divulgações são atualizadas conforme obrigação legal de contratada federal.
- A votação solicitava que a empresa divulgasse se seus serviços contribuíram para violações de direitos humanos internacionais e riscos materiais.
- A GEO é uma das maiores operadoras de prisões da ICE, respondendo por cerca de 41,5% da receita da empresa em 2024, com unidades que hospedam milhares de detidos.
- Os investidores apontaram relatos de maus-tratos e citaram casos de transporte de detidos para instalações de alto perfil, cobrando maior transparência e um relatório anual de direitos humanos.
Dois grupos de investidores católicos afirmaram que a GEO Group, maior operadora privada de prisões para o ICE, rejeitou um voto acionário para avaliar violações de direitos humanos nas operações sob o governo de Donald Trump. O episódio ocorreu em meio ao expansionismo da imigração nos EUA e ao escrutínio sobre condições de detenção.
Os investidores, liderados pela Província Leste dos Jesuítas, sustentam que a GEO rejeitou a proposta de divulgação de um relatório anual de direitos humanos, encerrou conversas sobre visitas a instalações e reduziu a transparência de suas informações. O grupo controla, no total, até US$ 53 mil em ações da GEO.
O GEO Group, com sede em Boca Raton, Flórida, é um dos maiores operadores de prisões para o ICE, cuja participação nas receitas da empresa chegou a 41,5% em 2024. Segundo fontes privadas, as unidades em South Texas e Adelanto, Califórnia, abrigam juntos cerca de 3,5 mil detidos, conforme levantamento recente.
Em comunicado por e-mail, a GEO afirmou manter diálogos com uma ampla base de acionistas há décadas e que as divulgações evoluem conforme os compromissos legais com o governo federal. A empresa disse cumprir as obrigações legais como contratada do governo. A GEO não detalhou se a rejeição do voto impede futuras discussões.
Os proponentes afirmam que a proposta demandava transparência sobre se os serviços da GEO contribuem para violações do direito internacional e exponham a empresa a riscos materiais. O grupo também citou relatos de exames realizados por universidades sobre deslocamentos de detidos para prisioneiros na América Central.
A GEO enfrentou questionamentos anteriores sobre o alcance de seus relatórios de direitos humanos. Em 2019, a empresa chegou a solicitar à SEC permissão para não realizar a votação, prática que ganhou flexibilização sob políticas de outubro de 2025, facilitando o não cumprimento de votações acionárias sem aprovação regulatória.
Especialistas independentes destacam que, mesmo com o recuo da GEO na votação, a divulgação de dados sobre condições de detenção continua sendo um tema de interesse público. O grupo de investidores afirmou exigir maior explicação sobre o tratamento de detidos, citando casos apontados por reportagens e testemunhos.
A GEO reiterou que não tem papel na concessão de acesso às instalações do ICE e que oferece assistência médica e aconselhamento jurídico aos detidos. A empresa destacou seu papel de quatro décadas no apoio à missão de aplicação da lei de imigração dos EUA.
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