- Kosovo, em 1999, foi bombardeio liderado pelos EUA e apoio da NATO para impor independência, visto por liberalistas como exemplo inicial de funcionamento da ordem, mas criticado por quem aponta violação de fronteiras.
- Iraque, 2003, invasão liderada pelos Estados Unidos, revelou unilateralismo e descredibilou a promessa de intervenção humanitária dentro da ordem liberal.
- Síria, entre 2011 e 2016, a hesitação de Obama, a intervenção russa e a credibilidade dos EUA foram temas de debate sobre a atuação da ordem e seus limites.
- Ucrânia, invasão russa de 2022, reacendeu críticas sobre a eficácia e a integridade da ordem, destacando inconsistências na atuação americana e europeia.
- Greenland, 2026, Donald Trump ameaçou invadir a Groenlândia, alimentando tensões com a Otan; muitos consideram isso um ponto de inflexão que pode fragilizar ainda mais a ordem, ainda que não haja consenso sobre a sua morte.
O debate sobre a morte da ordem liberal internacional continua sem consenso definitivo. Em tom controvertido, o texto examina se esse aparato, composto por instituições, regras e valores, está realmente extinto ou apenas fragilizado por ações de potências mundiais ao longo das últimas décadas.
Entre acusações e revisões históricas, o artigo aponta casos-chave que alimentam o tema: Kosovo, Iraque, Síria, Ucrânia e Gaza, além de a crise recente envolvendo a Groenlândia e a pressão para reconfigurar alianças. Em cada episódio, diferentes atores aparecem como potenciais responsáveis ou testemunhas da falha do sistema.
Kosovo
Em 1999, a intervenção liderada pela US e pela NATO, com apoio da ONU, pavimentou o reconhecimento internacional do Kosovo como Estado, apesar da oposição da Sérvia. Críticos, entre eles Noam Chomsky, veem a ação como neoimperialismo e violação de fronteiras por força, moldando precedentes para crises posteriores.
Iraque
A invasão de 2003 é apresentada como uma tentativa de ampliar a democracia, mas o equilíbrio entre multilateralismo e unilateralismo ficou evidente. Houve apoio inicial de liberalistas, porém o resultado revelou riscos de intervenções humanitárias e gerou descrença quanto ao alcance de ações dos Estados Unidos.
Síria
Entre 2011 e 2016, a resistência a intervenções diretas contrastou com ações russas a partir de 2015. Críticos questionaram a credibilidade civil global e sugeriram que a inação dos EUA favoreceu o colapso de normas liberais, ampliando a influência de atores hostis.
Ucrânia
A anexação da Crimeia em 2014 e a invasão de 2022 reacenderam o debate sobre a resposta ocidental a agressões russas. Observadores apontam contradições entre a defesa da soberania e casos anteriores de violação cometidos por diferentes potências, aumentando a percepção de falha do sistema.
Gaza
Após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, a resposta de Israel e o apoio demonstrado pelos EUA levantaram críticas sobre a consistência moral e jurídica da ordem liberal. A polêmica se intensificou pela percepção de hipocrisia e pelo aprofundamento de discrepâncias entre normas declaradas e ações tomadas.
Greenland
Diante das tensões com a Groenlândia, Donald Trump ameaçou invasão, atraindo temor de ruptura da OTAN. A postura extremada foi vista como uma prova de que a ordem liberal permanece vulnerável a gestos “duros” de grandes potências e a pressões para redefinir aliança e defesa coletiva.
As análises sugerem que a ordem liberal não tem um único causador: múltiplos episódios, escolhas estratégicas e interesses nacionais conflitantes contribuíram para um acúmulo de rupturas. Com a evolução de cenários geopolíticos, a percepção de que o modelo pode se reformular ou desaparecer é tema de debates entre especialistas e formuladores de política externa.
Alguns observadores defendem que é possível reconstruir o arcabouço com ênfase em diálogo, regras multilaterais e compromissos de defesa comum. Outros apostam que a crise atual pode acelerar a busca por novas estruturas de cooperação, menos dependentes de que uma superpotência imponha as diretrizes.
Independente do caminho, a conjuntura aponta para um mundo com maior vigilância sobre violações de soberania, uso de força e padrões de direitos humanos. Países reavaliam alianças estratégicas, e líderes nacionais discutem formas de manter certos valores em um cenário regional e global mais fragmentado.
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