- Um banco de dados da USAID, a Development Experience Clearinghouse, reuniu dezenas de milhares de avaliações de projetos ao longo de sessenta anos; com a decisão de Trump de fechar o acesso público, Lindsey Moore usou um modelo de linguagem para ler e salvar lições, inclusive sobre conservação.
- A startup DevelopMetrics de Moore treina IA para entender o conjunto de dados da USAID e extrair lições de projetos de desenvolvimento, ambiente, economia e sociedade em vários países, preservando conhecimento sob risco de exclusão.
- Cinco lições-chave identificadas: 1) levar a entrega mais próximo das famílias; 2) a prática muda quem pratica, com habilidades exercitadas no mundo real; 3) projetos devem ser desenhados para escala com ownership local; 4) co-criação vence apenas consulta; 5) fortalecer a camada intermediária que sustenta os sistemas.
- As lições apontam mais problemas institucionais e organizacionais do que técnicos, destacando a importância da participação local, governança comunitária e transferência de poder, além de enfatizar planos de continuidade após pilotos.
- Moore comenta custos energéticos de modelos de IA no campo da conservação, enfatiza uso responsável de dados e oferece caminhos para organizações aproveitarem arquivos próprios e de parcerias, com foco em estruturas de conhecimento e métricas aplicáveis.
Uma pesquisadora e empresária de tecnologia recuperou lições contidas em 60 anos de projetos da USAID, após o governo dos EUA limitar o acesso público ao database Development Experience Clearinghouse. A iniciativa envolve dados de mais de 150 mil projetos, incluindo conservação, economia e meio ambiente, e data de publicação que varia ao longo de décadas.
A atividade ocorreu em meio a mudanças políticas: o acesso ao repositório foi bloqueado há cerca de um ano. A operadora, Lindsey Moore, lidera a DevelopMetrics, empresa que usa modelos de linguagem para ler, organizar e extrair aprendizados úteis de grandes bases históricas de desenvolvimento.
Moore explica que o objetivo é manter aprendizados que costumavam ficar deduzidos com o tempo. A DevelopMetrics treinou modelos para compreender não apenas os dados da USAID, mas também de outras bases públicas sob risco de abandono, com foco em conservação.
A pesquisadora descreve que muitos problemas identificados ao longo de seis décadas não eram puramente técnicos. Em sua visão, as dificuldades estavam, sobretudo, em estruturas institucionais e na limitada participação das comunidades locais nos projetos.
Principais lições extraídas
A primeira lição envolve aproximar a entrega dos resultados das famílias atendidas. Segundo Moore, decisões e ajustes funcionam melhor quando ocorrem junto às pessoas que vivem nos ambientes afetados, como florestas ou áreas alagadas.
A segunda lição aponta que mudanças de prática ocorrem quando habilidades são exercitadas no campo, não apenas em salas de reunião. A avaliação tende a valorizar indicadores quantitativos, mas os relatos qualitativos mostram quando a prática é de fato aprendida.
A terceira lição diz que projetos devem ser planejados para escalar, com governança local e continuidade após a saída dos implementadores. Pilotos são úteis apenas com planos de transição e transferência de responsabilidade.
Implementação e aplicação prática
A abordagem de Moore envolve a criação de taxonomias de lições — chamadas de famílias de conselhos — para mapear o conteúdo aprendido ao longo de décadas. Ela ressalta que muitos conhecimentos já eram conhecidos por especialistas, mas não eram disseminados de forma estruturada.
Ela também destaca a importância do papel da camada intermediária, como docentes, técnicos e líderes comunitários, para que as ações diárias sejam a base de mudanças reais e duradouras.
A equipe de DevelopMetrics já trabalha com organismos da ONU, ONGs internacionais e a própria WWF, buscando adaptar o uso de IA a contextos de conservação, com foco na eficiência energética de modelos e na sustentabilidade ambiental das soluções.
Sobre o acesso e o futuro da dataset
Moore afirma que a preservação de bases de dados perdidas é uma prioridade, não apenas para USAID, mas para o setor de conservação como um todo. A empresa defende a criação de um ecossistema de dados em que informações históricas possam ser utilizadas de forma prática e ética.
O modelo de IA da DevelopMetrics, que opera over Roberta Large com fine-tuning de dados manuais, busca equilibrar qualidade das análises e impacto ambiental da tecnologia. A empresa também aponta a necessidade de financiamento para manter e ampliar esse repertório de conhecimento.
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