- O mundo não é mais dividido em blocs; cooperação passa a ser baseada em temas, como comércio, clima e saúde, entre diversas potências.
- Visitas de líderes a Pequim, incluindo chefes de Estado europeus e de outras regiões, são sinais dessa nova prática de engajar a China sob termos independentes.
- O fim da ordem pós‑Guerra Fria levou a uma ascensão da autonomia estratégica da União Europeia e a uma configuração multipolar, com coalizões por tema em vez de blocos fixos.
- Embora haja avanços na conversa entre União Europeia e China, ainda existem divergências em áreas como políticas comerciais, acesso a mercados e remédios industriais, mantendo a UE como polo de equilíbrio.
- Pequim se beneficia da retirada dos Estados Unidos de um protagonismo global mais contido e, com isso, massas de países médios começam a escolher seus interesses sem aderir rigidamente a um campo específico.
No mundo atual, não se trata de China contra o Ocidente nem de blocos fixos. A cooperação passa a ocorrer com base em questões, não em alinhamentos ideológicos.
Leaders de várias nações visitam Beijing, sinalizando uma nova fase. Macron, Lee Jae-myung, Micheál Martin, Mark Carney e Keir Starmer já visitaram a China recentemente. Merz deve começar a viagem em fevereiro; Trump pode visitar em abril.
Essa tendência resulta da erosão da ordem de pós-Guerra Fria. Com Washington menos confiável como guardião do sistema multilateral, a UE busca autonomia estratégica e tende a emergir como polo independente, com poder regulatório e influência econômica.
Mudanças de tema: cooperação por questões
O que muda não é a retirada de valores, mas como guiam alianças. A cooperação passa a ocorrer entre coalizões diferenciadas por tema, não por bloco. Clima, comércio, IA, cadeias de suprimento e saúde geram constelações próprias de cooperação.
O comércio ilustra essa transição: acordos como o CPTPP, antes dominado pelos EUA, passam a ser geridos por potências médias. Reino Unido já aderiu; China está em candidatura; UE busca vínculos mais próximos, sem alinhamento bloco a bloco.
A União Europeia e a China continuam comprometidas com governança multilateral e reforma institucional. Mantêm a defesa de regras da ONU e a reforma da OMC, incluindo o restabelecimento de mecanismos de disputa.
Continuidade e áreas de divergência
Apesar das convergências, divergem áreas como remédios comerciais, acesso ao mercado e políticas industriais. A UE atua como polo equilibrador, mantendo laços de segurança com Washington e negociando com a China em seus próprios termos.
No conjunto, o cenário global avança para uma governança multipolar sem comunidades baseadas em blocos. Pequenos e médios Estados passam a agir de forma mais autônoma, buscando interesses específicos sem escolher lados fixos.
Essas mudanças refletem que a China permanece integrada a cadeias globais e atuante em instituições multilaterais. Com a retração norte-americana, Beijing oferece estabilidade e opções estratégicas para países que precisam hedgear seus interesses.
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