- Erik Prince, fundador da Blackwater, enviou uma força de segurança privada para operar drones e ajudar o exército da República Democrática do Congo a retomar a cidade estratégica de Uvira, na fronteira com Burundi.
- A operação marca a primeira participação de forças privadas de Prince na linha de frente do Congo, com foco em apoiar as forças especiais e o Exército na recuperação de Uvira dos rebeldes AFC/M23.
- A presença dos contratados ligados aos Estados Unidos teria efeito dissuasor sobre os AFC/M23, que teriam relutado em enfrentar diretamente Prince e sua equipe.
- O governo congolês pediu apoio, e as equipes de Prince já se retiraram para a missão principal de melhorar a arrecadação de imposto com a mineração; há possibilidade de novos deslocamentos no front quando solicitado.
- O envolvimento ocorre em meio a cooperação com assessores israelenses, que estariam treinando duas brigadas de forças especiais congolenses; o objetivo declarado é treinamento, sem explicação adicional.
Erik Prince, fundador da Blackwater, enviou uma força de segurança privada para operar drones e apoiar o Exército da República Democrática do Congo na recaptura de Uvira, cidade estratégica na região de Sud-Kivu, fronteira com o Burundi. A operação buscava reforçar o esforço para retomar o controle da área dos rebeldes AFC/M23.
Segundo quatro pessoas a par da missão, os contratados atuaram ao lado das forças especiais congolesas e do exército, em apoio aéreo com drones, em Uvira, durante o período de combate aos rebeldes. O objetivo era pressionar os insurgentes e reforçar a segurança na cidade.
A ação ocorreu após os combates de dezembro, quando AFC/M23 tomaram a cidade e depois recuaram após pressões internacionais. A participação de Prince no terreno é considerada a primeira atuação direta de suas forças privadas em Congo, ampliando seu papel no conflito.
Envolvimento de contratados privados
Uma porta-voz de Prince não comentou o assunto. Representantes do governo congolês e do ministério da defesa não responderam a perguntas oficiais. O governo de Kinshasa solicitou apoio para retomar Uvira.
Fontes afirmam que a presença de operados ligados aos EUA deve funcionar como dissuasor para os AFC/M23, que teriam receio de confrontos diretos. Washington teria oferecido apoio ao Congo para mediar um fim do conflito em troca de acesso a recursos minerais.
Não está claro se a participação de Prince foi aprovada formalmente pelos Estados Unidos. O Departamento de Estado dos EUA afirmou que não mantém contratos com Prince ou suas empresas.
A operação, conforme uma das fontes, estaria alinhada a um acordo de minerais em troca de segurança, com Kinshasa pedindo reforços para retomar Uvira e controlar a região. Os contratados teriam retornado ao foco original de ampliar a arrecadação de impostos sobre mineração.
Contexto regional
Relatos indicam que a atuação incluiu drones para apoiar operações de elite das forças congolesas contra os rebeldes na área de Uvira e nas colinas do Sud-Kivu. A presença de assessores israelenses que treinavam duas baterias de forças especiais também foi mencionada por uma fonte, sem mais detalhes.
O conflito no leste da RDC envolve o AFC/M23, com acusações de apoio de Ruanda ao grupo. Kigali nega envolvimento direto. O país assinou, no ano passado, um acordo de paz mediado pelos EUA, ainda que o AFC/M23 não tenha sido incluído no acordo.
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