- Em Doma, cidade no estado de Katsina, no norte da Nigéria, líderes locais chegaram a um acordo com homens armados em setembro para encerrar ataques e permitir o retorno às atividades de cultivo.
- O entendimento initially funcionou, mas em onze de fevereiro a mesma facção voltou a atacar, matando pelo menos 21 pessoas e rompendo a trégua.
- Segundo moradores, dezenas de distritos em Katsina — além de áreas em Kaduna, Sokoto e Zamfara — vêm buscando acordos parecidos com grupos armados pela frustração com a violência e com falhas das autoridades.
- Autoridades não deram respostas imediatas a solicitações de comentário; o ministro da Defesa havia alertado, no mês anterior, que negociações com bandos enfraquecem o esforço nacional de segurança.
- O acordo de Doma incluía permitir que os pastores faquem o gado na região, a promessa de fim dos ataques, a libertação de 400 raptados e a entrega de uma quantia em dinheiro, além de não usar armas ou uniformes durante o pastoreio; o sublinhado era a tensão entre pastores Fulani e agricultores pela terra e água.
Doma, uma vila de Katsina, no norte da Nigéria, fechou um acordo com um grupo armado na tentativa de interromper ataques que assolaram a região. A trégua foi firmada em setembro entre líderes locais e membros da gangue, com a expectativa de retomarem a vida de fazenda em paz.
initially, o acordo segurou por meses, mas foi rompido em 3 de fevereiro, quando homens armados retornaram, invadiram casas e executaram, segundo sobreviventes, pelo menos 21 pessoas. O cessar-fogo, então, ficou completamente fragilizado.
A multidão de conflitos que envolve as comunidades locais não se restringe a Doma. Em Katsina, cerca de 15 distritos, além de outros três estados do norte, tem buscado acordos com grupos armados devido à violência e à ineficácia de iniciativas oficiais para restaurar a ordem.
Contexto e motivações
Os moradores relatam que, diante da incapacidade de proteção estatal, algumas aldeias passaram a negociar diretamente com bandos e sequestradores. O risco é que tais acordos sirvam como paliativos sem garantia de segurança duradoura.
Segundo analista de risco, a tendência de recorrer a acordos com criminosos reflete a frustração com as ações do governo e a percepção de que medidas de alto nível não chegam às comunidades locais.
O Ministério da Defesa informou que tem alertado autoridades locais sobre os riscos de tais negociações, afirmando que isso pode comprometer a segurança nacional. O governo também aponta cooperação com serviços de inteligência estrangeiros em resposta a pressões internacionais.
A violência continua a afetar municípios predominantemente muçulmanos no norte, onde conflitos por terra e água entre pastores e agricultores se intensificam com mudanças climáticas e crescimento populacional, ampliando a vulnerabilidade local.
Detalhes da negociação e desdobramentos
A negociação inicial envolveu líderes da cidade, autoridades estaduais e representantes da área de governo local, com participação de membros da comunidade de pastores Fulani. Acordos teriam incluído permitir pastoreio próximo à vila, a promessa de encerrar ataques, a liberação de cerca de 400 moradores sequestrados e não uso de uniformes militares por parte dos conducentes ao pastoreio, além de um pagamento em dinheiro considerado de peso simbólico.
Após meses de diálogo, a violência voltou a intensificar na metade de janeiro, quando os atacantes acusaram residentes de ter confrontado um de seus membros. Em 3 de fevereiro, o mesmo grupo retornou com mais de 50 integrantes, conforme relatos de moradores.
Famílias locais relatam perdas extremas: a mãe Ramatu Muhammed descreveu a morte de seu filho, enquanto moradores como Aliyu Abdullahi mencionaram a morte de parentes, enfatizando que ninguém foi poupado pelos atacantes.
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