- O Irã pediu aos EUA que não deixem Netanyahu atrapalhar as negociações nucleares antes do encontro com Donald Trump.
- Netanyahu viajou a Washington para pedir a Trump que não feche acordo com Teerã se não contiver limites ao programa de mísseis, ao apoio a forças na região e a abusos de direitos humanos.
- O premiê israelense pretende apresentar aos norte-americanos sua linha de negociação e pode levar novas informações sobre capacidades militares iranianas, incluindo mísseis de longo alcance.
- O Irã reagiu por meio do chefe do Conselho de Segurança Nacional, Ali Larijani, pedindo aos EUA vigilância contra o papel destrutivo de Israel e informando que mediadores em Muscat discutem a agenda das tratativas.
- Mesmo que a segunda rodada se concentre no programa nuclear, não há garantia de sucesso, pois Teerã exige manter o direito de enriquecer; os EUA deslocaram o porta-aviões Abraham Lincoln para a região e reforçaram defesas; o criadouro da questão envolve limites ao enriquecimento.
O Irã pediu aos EUA que não permitam que Israel atrapalhe as negociações sobre o programa nuclear, num contexto de reunião rápida entre Netanyahu e o presidente dos EUA, Donald Trump, marcada para hoje em Washington. A alegação é de que a intervenção de Jerusalém pode inviabilizar um acordo.
Netanyahu viajou a Washington para pedir a Trump que não feche um acordo com Teerã sem limitar o programa de mísseis balísticos, encerrar o apoio a forças na região e atender a demandas sobre direitos humanos. O premiê acredita que as propostas norte-americanas podem deixar de fora restrições essenciais.
Netanyahu sustenta que Kushner e Witkoff estariam dispostos a aceitar um acordo limitado apenas ao núcleo nuclear, o que, na visão de Israel, não conteria a ameaça de Teerã no longo prazo. O primeiro-ministro informou que apresentaria a Trump sua abordagem e inteligência sobre capacidades militares iranianas.
Reações de Teerã
Ali Larijani, chefe do Conselho Nacional de Segurança, acusou Israel de tentar moldar as negociações antes da viagem de Netanyahu. Em Muscat, Larijani participou de reuniões com mediadores para discutir a agenda de novos encontros com Washington.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, afirmou que a parte negociadora do Irã é a América e que ela deve agir sem pressões que prejudiquem a região. O governo iraniano também apontou que o diálogo com os EUA é o caminho principal.
Contexto regional e interno
Desde a reabertura de conversas indiretas entre EUA e Irã, em Omã, emmarcado como etapa para limitar o programa nuclear, Israel monitora o andamento e aponta riscos. Internamente, grupos reformistas no Irã têm se manifestado contra repressões e prisões de líderes do Front Reformista.
A autoridade atômica iraniana sinalizou possibilidade de diluir o estoque de urânio enriquecido para 60% de pureza, como concessão restrita, caso haja acordo, embora o limite de 3,75% tenha sido estabelecido pelo acordo de 2015. As ações ocorrem enquanto Washington envia forças marítimas ao Golfo para dissuasão regional.
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