- Macron afirmou que a Europa deve se preparar para novos atritos com os EUA e usar o “momento Groenlândia” como alerta para avançar reformas econômicas atrasadas e fortalecer o peso global da UE.
- Disse que a calmaria atual não significa mudança permanente nas disputas com Washington, especialmente em comércio e tecnologia.
- O presidente americano é visto como “anti-europeu” e busca o desmembramento da UE, segundo Macron.
- Ele alertou que, nos próximos meses, os EUA podem atacar a UE com tarifas se a União usar o Digital Services Act para controlar grandes empresas de tecnologia.
- Macron defende financiamento comum adicional, como eurotítulos, para ampliar investimentos e desafiar a hegemonia do dólar; cúpula da UE ocorre em Bruxelas na quinta-feira.
Em Paris, o presidente francês Emmanuel Macron disse nesta terça-feira que a Europa deve se preparar para novos choques com os EUA e ver o recente chamado de atenção, o “momento Groenlândia”, como sinal para acelerar reformas econômicas de longo prazo e fortalecer o poder global do bloco.
Macron afirmou em entrevistas a vários jornais europeus que a calmaria nas tensões com Washington não significa uma mudança duradoura, mesmo com o fim aparente de disputas sobre Groenlândia, comércio e tecnologia. O tom foi de alerta.
O líder francês destacou que, diante de agressões claras, não basta ceder ou buscar acordos provisórios, pois essa estratégia não tem funcionado, segundo ele. Ele também acusou a administração Trump de ser abertamente anti‑europeia.
O presidente declarou ainda que os EUA deverão, nos próximos meses, atacar a regulação digital europeia caso a União use o Digital Services Act para restringir grandes empresas de tecnologia. Há risco de tarifas de importação.
Macron defendeu o ressurgimento de instrumentos comuns de endividamento, como eurobonds, para ampliar o investimento da UE e desafiar a hegemonia do dólar. A medida busca maior autonomia econômica do bloco.
Contexto econômico e agenda europeia
Leaders da UE devem se encontrar em Bruxelas na quinta-feira para discutir medidas de fortalecimento da economia europeia. O objetivo é tornar o bloco mais resistente a pressões dos EUA e da China no cenário global.
Analistas veem o chamado “momento Groenlândia” como oportunidade para alinhar reformas estruturais, melhorar competitividade e consolidar a posição da UE em política externa e tecnológica. A reunião deverá traçar próximos passos.
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