- O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou elevar tarifas sobre produtos sul-coreanos de 15% para 25%, usando poderes do International Emergency Economic Powers Act (IEEPA).
- A justificativa é a não ratificação, pela Assembleia Nacional da Coreia do Sul, do marco conjunto anunciado no verão passado.
- O acordo de livre comércio entre Coreia do Sul e Estados Unidos (KORUS) está em vigor desde 2012, com cerca de noventa e cinco por cento dos bens sul-coreanos entrando sem tarifas.
- Em setembro, a operação da polícia na planta da Hyundai na Geórgia resultou na detenção de 475 trabalhadores e causou crise diplomática.
- Aliados passaram a buscar alternativas, especialmente com a China, enquanto governos discutem a confiabilidade de acordos comerciais dos Estados Unidos; o Congresso é pressionado a recuperar parte de sua autoridade.
Mais uma ameaça de tarifas volta a colocar aliados em alerta. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nas redes sociais que aumentará tarifas sobre uma vasta gama de produtos sul-coreanos para 25%, elevando-as dos 15% atuais. A justificativa é que a Assembleia Nacional da Coreia do Sul não ratificou ainda o marco acordado entre os dois governos no verão passado.
O episódio reforça a visão de incerteza que norteia a política comercial da administração Trump. Há meses houve também a operação contra uma fábrica da Hyundai na Geórgia, com a detenção de centenas de trabalhadores sul-coreanos envolvidos na construção de uma usina de baterias, segundo relatos da imprensa. Investidores temem que as alterações impactem o clima de negócios.
Antes dessa sequência, já existia um acordo abrangente entre EUA e Coreia do Sul, o KORUS, assinado em 2007 e que entrou em vigor em 2012. O pacto previa, em torno de 95% dos produtos, entrada livre de impostos ou tarifas bem reduzidas.
A tarifa de 15% sob o IEEPA, segundo críticas, anulou parte dessas obrigações. O governo sustenta que o mecanismo de emergência permite medidas rápidas, mas opositores alegam uso inadequado de poderes. Em Washington, há debates sobre a constitucionalidade dessas tarifas.
O debate vem em meio a sinais de que aliados estão buscando alternativas diante da volatilidade. Japão, Canadá e Índia também observam a tendência. A Coreia do Sul já prepara legislação para implementar um acordo derivado, enquanto Washington mantém postura de pressão.
Segundo analistas, a combinação de ações unilaterais e comunicação pelo uso de redes sociais alimenta desconfiança entre parceiros. O efeito pode ser uma retração de investimentos estruturais, com impactos observados em cadeias de suprimentos e preços ao consumidor.
No cenário diplomático, a Coreia do Sul tende a aprovar rapidamente a legislação de implementação. A situação fixa um tema central: as relações comerciais entre Washington e seus aliados passam por testes de confiabilidade, com consequências de curto e longo prazo.
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