- O vice‑ministro de Relações Exteriores de Taiwan afirma que os Estados Unidos continuam sendo o aliado mais essencial, mesmo com maior imprevisibilidade na relação sob a segunda gestão de Donald Trump; Washington aprovou o maior pacote de venda de armas para Taiwan, superior a $11 bilhões, e negociou acordo comercial em janeiro que concede alívio tarifário em troca de investimentos taiwaneses nos EUA de US$ 500 bilhões.
- Em janeiro, Taiwan participou do sixth U.S.-Taiwan Economic Prosperity Partnership Dialogue, ampliando cooperação em cadeias de suprimento de tecnologia, minerais críticos e drones, com entendimento de avanços significativos pela frente.
- A cooperação econômica inclui a reconcentração (reshoring) de parte da produção de semicondutores para os EUA, com a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) e outras firmas já expandindo presença no país; Taiwan depende do setor de chips para sua importância global.
- O governo taiwanês está preocupado com o orçamento de defesa de $40 bilhões proposto pelo presidente Lai Ching-te, que enfrenta resistência no legislativo; Chen afirma ser necessário investir para demonstrar compromisso com a defesa.
- Chen alerta para o aprofundamento de laços entre aliados dos EUA e a China, citando visitas de líderes de Canadá e Reino Unido a Pequim; diz que não é alternativa “hedging” contra os EUA e questiona se vale a pena confiar na China, destacando a importância da democracia de Taiwan.
Taiwan enfatiza sua posição de estar presente nos debates globais, destacando alianças estratégicas e uma visão de longo prazo sobre segurança, tecnologia e democracia. Em visita ao Ministério das Relações Exteriores, o assunto principal foi a relação com os Estados Unidos e o papel de Taiwan no equilíbrio regional.
O vice-ministro das Relações Exteriores, Chen Ming-chi, explicou que, apesar das mudanças de postura dos EUA sob a segunda gestão de Donald Trump, as ações dos norte-americanos, na prática, importam mais que as palavras. Chen ressaltou que a cooperação concreta, especialmente no setor de defesa e tecnologia, é o que sustenta a segurança regional.
Durante a entrevista, Chen comentou avanços recentes, como o maior pacote de venda de armas dos EUA para Taiwan, aprovado em dezembro, e um acordo comercial que abriu margem de liberação alfandegária em troca de investimentos taiwaneses nos EUA. Ele destacou a importância de fortalecer cadeias de suprimento tecnológicas e de minerais críticos.
Chen participou da sexta edição do Diálogo de Parceria Econômica entre EUA e Taiwan, realizado no início do ano, onde os dois governos concordaram em ampliar a cooperação. O foco está na competição tecnológica, na relocalização de manufatura de semicondutores dos EUA para reduzir vulnerabilidades e no estímulo a investimentos bilaterais.
Para Taiwan, a dominação dos semicondutores, liderada pela TSMC, sustenta uma vantagem estratégica conhecida como “escudo de silício”. Embora haja propostas norte-americanas para deslocar parte da capacidade de produção para os EUA, a Administração taiwanesa aponta que a democracia, a geografia e os valores continuam a sustentar a posição do país, além da presença de chips de ponta.
O vice-ministro observou que a relação com Taiwan não depende apenas de tecnologia, mas também de confiança entre democracias. Apesar de o tema da defesa exigir recursos, Chen disse que o orçamento proposto para 40 bilhões de dólares precisa vencer a oposição política para reforçar a proteção do território, especialmente em meio a um ambiente de incerteza regional.
No âmbito internacional, Chen criticou a tendência de alguns aliados a buscar maior aproximação com a China como forma de contrabalançar os EUA. Ele argumentou que esse movimento não é uma opção para Taiwan, que defende vínculos estáveis com seus principais parceiros e não pretende substituir um compromisso por outro.
Além disso, Chen mencionou a preocupação com sinais de que alguns aliados estão aprofundando relações com Beijing, em meio a visitas a Xangai de chefes de governo de países ocidentais. O vice-ministro afirmou que a diversificação de parcerias não deve substituir a proteção proporcionada pelos laços com os Estados Unidos e outros parceiros próximos.
Questionado sobre eventuais mudanças de cenário, Chen destacou que a relação entre Taiwan e o mundo é definida por escolhas de longo prazo. Ele reforçou que, para Taiwan, o objetivo é manter a democracia fortalecida e a estabilidade na região, independentemente de flutuações de curto prazo na política externa de potências.
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