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Fantasias conspiratórias de Putin voltam contra ele

Ultranacionalistas russos, antes aliados de Putin, voltam-se contra o Kremlin, aumentando a tensão interna e o risco de purgas se a ofensiva falhar novamente

A large sculpture of a red-and-gold star with a gold Z affixed to the front stands in front of a building. A person bundled in a winter coat and hat walks by in the background.
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  • Em 30 de setembro de 2022, Putin assinou a anexação de supostos novos territórios da Rússia após a crise com a Ucrânia, usando termos usados por nacionalistas ultraconservadores.
  • O termo “Anglo-Saxons” é empregado pelos chamados Z-patrotas, ultranacionalistas que apoiam a invasão da Ucrânia, mas criticam o governo de Putin.
  • Esses ultranacionalistas veem o poder britânico como uma conspiração antiga, associada a maçons e judeus, e hoje o usam para criticar Putin.
  • Em entrevista recente no canal Roi TV, Maksim Kalashnikov e Yuri Yevich defendem uma visão fascista de defesa da Rússia, descrevendo os ingleses como predadores e a guerra como intervenção global.
  • O descontentamento entre os Z-patriots cresce, com medo de que brigadas radicais treinadas por Yevich possam desafiar Putin caso haja novas derrotas militares, negociações impopulares ou crise econômica.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou em 30 de setembro de 2022 que as sanções ocidentais seriam insuficientes e ampliou acusações contra o que chamou de Anglo-Saxons. A fala ocorreu durante a assinatura da anexação de territórios alegadamente capturados da Ucrânia, em Moscou. A narrativa ajudou a moldar a narrativa do governo contra o Ocidente.

Z-patriotas rompem com Moscou

Ultranacionalistas russos, conhecidos como Z-patriots, passaram a criticar o governo de Putin por suposta condução falha da guerra. Eles associam o poder britânico a conspirações históricas, reinterpretando o termo Anglo-Saxons como uma força imperial maligna que enfrenta a Rússia.

Origem do discurso e aliados

A legenda ideológica mescla fantasias sobre masones e judeus como aliciadores de influência em Londres. A visão foi herdada por Putin e agora ganha adesão entre setores que apoiam a invasão, mas criticam a governança, segundo análises de especialistas.

Entrevista que reacende o tema

Recentemente, uma entrevista no canal Roi TV, próximo aos setores pró-guerra, reuniu Maxim Kalashnikov e Yuri Yevich. Kalashnikov é apresentado como futurologista e líder entre os Z-patriots; Yevich, médico veterano, dirige a academia Tecnologias da Sobrevivência e já enfrentou acusações por críticas à atuação do Exército.

Discurso de Yevich e a retórica de antagonismo

Yevich emprega linguagem biológica para descrever o Ocidente como predador. Em tom alarmista, compara o mundo anglo-saxão a gangrena e defende intervenções radicais. A retórica reforça a percepção de inimigo externo entre seguidores da linha ultranacionalista.

Consequências políticas e sociais

A politização extremista ameaça o apoio interno a Putin ao criar inimigos absolutos e justificar medidas de repressão. Analistas observam que a base de apoio dos Z-patriots pode questionar contratos, negociações e metas de curto prazo da guerra.

Desdobramentos futuros

Especialistas apontam que a radicalização pode intensificar conflitos internos, caso ocorram novas derrotas militares, acordos duros ou crises econômicas. Autoridades e observadores monitoram sinais de descontentamento entre setores radicais que apoiaram o regime.

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