- a Rússia enfrenta um déficit de pelo menos 2,3 milhões de trabalhadores, agravado pela guerra na Ucrânia.
- Moscou está aumentando a entrada de trabalhadores indianos, com quase 72 mil vistos autorizados no ano passado, parte de uma política para suprir a mão de obra.
- os trabalhadores da Ásia Central, antes fonte principal, reduziram-se devido a leis de migração e ao recuo do rublo, levando a maior procura por trabalhadores da Índia.
- empresas russas já contratam indianos para fábricas e fazendas, com salários médios próximos de 50 mil rublos por mês em alguns setores.
- há acordo entre presidentes Putin e Modi para facilitar a entrada de trabalhadores da Índia, em meio a possíveis impactos de pressões dos EUA sobre compras russas de petróleo.
A Rússia enfrenta escassez de mão de obra agravada pela guerra na Ucrânia e recorre a trabalhadores indianos para compensar as vagas. O país afirma precisar de pelo menos 2,3 milhões de trabalhadores, diante de um mercado interno retraído e dificuldades com fontes tradicionais de mão de obra.
O influxo indiano surge em meio a medidas que facilitam vistos para trabalhadores estrangeiros. Dados mostram que, em 2021, 5 mil vistos foram aprovados para indianas; em 2022, quase 72 mil vistos foram liberados, equivalendo a quase um terço da cota anual de trabalhadores estrangeiros.
A substituição ocorre porque há uma queda na entrada de trabalhadores da Ásia Central, que não necessitam de visto. A aposta atual é por mão de obra não qualificada para setores industriais, serviços e construção.
Além da prática de emissão de vistos, há acordos de alto nível entre Moscou e Nova Délhi. Em 2024, líderes dos dois países discutiram facilitar a atuação de indianos na Rússia. Autoridades russas estimaram a necessidade de até 800 mil trabalhadores na manufatura e 1,5 milhão no comércio, construção e serviços.
Casos concretos mostram trabalhadores indianos trabalhando em fábricas e no campo. Em Moscou, uma empresa têxtil contratou cerca de 10 trabalhadores sul-asiáticos, incluindo indianos, para produção de cortinas e roupas de cama. Em Sergiyevsky, no interior, indianos processam e embalam vegetais por salários próximos a 50 mil rublos mensais, segundo a empresa e relatos de trabalhadores.
Para cada um, a viagem envolve longas trajetórias com trânsito via Uzbequistão, chegando a Moscou para cruzar controles. O objetivo central é preencher vagas que, segundo autoridades russas, não são atendidas pela força de trabalho local, especialmente por restrições de imigração em períodos de guerra.
O cenário econômico se entrelaça com relações bilaterais. A Rússia tem usado a disponibilidade de mão de obra estrangeira para sustentar sua economia de guerra, enquanto a Índia busca ampliar laços comerciais e de cooperação. Riscos geopolíticos e sanções internacionais também influenciam as decisões de política de migração de ambos os países.
Contexto e desdobramentos
O governo russo afirma que a demanda por trabalhadores é elevada, especialmente nos setores manuais e de serviços. Especialistas destacam que o equilíbrio entre oferta e demanda depende de políticas de vistos, câmbio e condições de trabalho, que afetam a permanência e a rotatividade de trabalhadores estrangeiros.
A relação entre Moscou e Nova Délhi permanece estável, com declarações oficiais enfatizando cooperação econômica. No entanto, mudanças em sanções ou pressões externas podem alterar o fluxo de migrantes, influenciando a composição da força de trabalho russa.
Perspectivas
Analistas apontam que, se a demanda por mão de obra não qualificada persistir, o país pode ampliar acordos com outros países além da Índia. Enquanto isso, empresas russas já ajustam operações para integrar trabalhadores estrangeiros, mantendo produção e serviços em funcionamento diante do cenário de guerra.
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