- A persistente queda da era de controle de armas após a morte efetiva do acordo New START com a Rússia, apesar de não significar o fim inquestionável do controle de armas.
- O texto destaca que, no cenário multipolar atual, acordos bilaterais entre Estados Unidos e Rússia têm utilidade limitada frente ao crescimento de arsenal nuclear da China e a novas tecnologias.
- Nos anos recentes, políticas de controle de armas sofreram declínio devido a pressões políticas, modernização nuclear e desengajamento de acordos como o acordo com o Irã.
- O desafio central é como lidar com a China, cuja ascensão coloca questões sobre deter dois adversários simultaneamente e sobre se acordos existentes podem conter inovações tecnológicas.
- O autor sugere caminhos alternativos para uma nova era de controle de armas, como acordos focados em redução de riscos, transparência e mitigação de crises, possivelmente com menos ênfase em números, além de explorar questões adjacentes como capacidades cibernéticas, IA e espaço.
Donald Trump, que hoje ocupa a presidência dos EUA, aparece no retrato histórico como alguém que já imaginou um acordo de controle de armas nucleares entre EUA e Rússia. Em 1984, então empresário de Nova York, ele disse querer negociar tratados que marcassem uma era de cooperação.
Ao longo de décadas, o governante viu o avanço de uma arquitetura de controle de armas entravar-se. A morte prática do acordo New START com a Rússia, anunciada recentemente, ilustra a lenta decadência do desenho pós–Guerra Fria, apesar de o tema seguir vivo em debates estratégicos.
Em um cenário multipolar, com a ascensão da China e novas tecnologias, tratados bilaterais baseados em cotas numéricas ficaram mais restritos em utilidade. Ainda assim, a ideia de controle de armas continua relevante para evitar corrida armamentista e instabilidade.
Trump, desde a juventude, defendia a importância de negociação. Em 1980s, ele já defendia que poderia aprender tudo sobre mísseis em pouco tempo, ainda que não tenha conduzido negociações desses acordos na prática.
Os anos 1980 viram avanços como o INF e a preparação do START I, com cooperação entre EUA e URSS. Nos anos seguintes, houve decréscimo gradual dessa arquitetura, que já enfrenta limites para cobrir novas armas e tecnologias.
O fator China hoje desafia qualquer acordo: estimativas apontam que Pequim pode chegar a 1.000 armas até 2030, elevando perguntas sobre dissuasão, deter-se diante de dois adversários e o papel de regras de controle existentes.
Críticos de armas afirmam que acordos sobram se não incluírem a China. No entanto, a trilateralidade costuma ser vista como obstáculo, ampliando o risco de um mundo com menos limitações sobre arsenais nucleares.
Mesmo com o avanço da proliferação, permanece espaço para uma nova era de controle de armas. Esse quadro pode privilegiar abordagens com foco em redução de riscos, transparência e mitigação de crises, em vez de tratados rígidos do passado.
Historicamente, o controle de armas já foi uma força motriz de cooperação entre potências. A visão de um acordo moderno exige imaginar alternativas ao modelo antigo, incluindo limites a capacidades cibernéticas ofensivas, uso de IA nuclear e capacidades espaciais.
A despeito das controvérsias, a pauta de armamento nuclear continua relevante para a seguridade global. A pesquisa em políticas de dissuasão e de cooperação pode influenciar futuras negociações e a forma como Estados regram as suas atividades nucleares.
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