- Anders Fogh Rasmussen, ex‑secretário-geral da OTAN, diz que Europa precisa acelerar sua autonomia em relação aos Estados Unidos e que a Rússia poderia atacar um país da aliança ainda nesta década.
- Em visita a Washington, ele alerta que a segurança europeia está em estado de emergência e que a crise não começou apenas com Crimea e com a Ucrânia, destacando a reeleição de Donald Trump como fator de risco.
- Propõe que a indústria europeia transforme excesso de capacidade produtiva em produção de armamento, e sugere acordos para limitar investimentos estrangeiros em infraestrutura crítica na Groenlândia, que não está à venda.
- A importância de a OTAN transferir controle de centros de mando para a Europa é destacada, mas a maior dificuldade seria expansão da capacidade de produção e de transporte de material militar.
- Rasmussen reafirma que a Espanha precisa cumprir o gasto de defesa de cinco por cento e afirma que, sem o artigo cinco em caso de ameaça, a OTAN estaria comprometida; vê o “bazuca” comercial como ferramenta de pressão com Trump.
Anders Fogh Rasmussen, ex-secretário-geral da OTAN, afirmou que a Europa precisa acelerarar sua autonomia para reduzir a dependência dos Estados Unidos. Em visita a Washington, slasse que a segurança do continente está em estado de emergência. Ele prevê que a Rússia pode atacar um país europeu ainda nesta década.
O ex-primeiro-ministro dinamarquês criticou críticas recentes do presidente dos EUA e sugeriu caminhos para fortalecer a defesa europeia. Entre as propostas, incluiu atualização de acordos com a Grã-Bretanha, estímulo a investimentos privados em minerais críticos e restrições de investimentos em infraestrutura estratégica a aliados não confiáveis.
Contexto estratégico
Rasmussen disse ser necessário que a Europa implemente uma economia de guerra para sustentar a produção de armamentos. Observou que as fábricas têm capacidade ociosa que pode ser redirecionada para equipamentos militares, sem abandonar a indústria civil. A ideia é reduzir vulnerabilidades logísticas.
Papel da OTAN e produção europeia
O ex-líder da OTAN elogiou a transferência de controle de centros de comando para a Europa, mantendo a participação norte-americana. Argumentou que o problema da aliança não está na prontidão, mas na capacidade de produção e no abastecimento de equipamentos sofisticados. Alertou para a necessidade de acelerar a fabricação de material militar estratégico.
Golpe à defesa e solidariedade
Ele citou a meta de gastar 5% do PIB em defesa, defendendo que todos os aliados devem cumprir esse compromisso. Questionou a participação de Espanha na adesão prevista e ressaltou que a OTAN é uma aliança defensiva baseada na solidariedade, com responsabilidade compartilhada em casos de ameaça.
Groenlândia e o “artigo 5”
Questionado sobre a situação de Groenlândia, Rasmussen afirmou que a perda de apoio americano seria um golpe fatal para a OTAN. Em resposta a possivelmente futuras pressões de Washington, disse que a aliança deve permanecer firme e pronta para aplicar o artigo 5, caso haja ataque a um membro.
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