- A chefe da política externa da União Europeia, Kaja Kallas, alerta que o Board of Peace de Donald Trump é um veículo pessoal que tira qualquer responsabilização diante dos palestinos ou da Organização das Nações Unidas.
- O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, acusou Trump de tentar contornar o mandato original da ONU e disse que a Europa foi excluída do processo.
- O senador democrata Chris Murphy teme que o board não tenha controles para evitar que bilhões de dólares de reconstrução acabem nas mãos de aliados de Trump.
- O encontro do Board of Peace está marcado para ocorrer em Washington na próxima semana; o Alto Representante para Gaza, Nickolay Mladenov, pediu foco imediato em ajuda humanitária, desmilitarização e reunificação de Gaza.
- O embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz, disse que é necessário “colocar a ONU em dieta” para manter a paz; a Indonésia confirmou o envio de oito mil tropas para a Força Internacional de Estabilização, com novas implantações previstas.
A disputa entre a União Europeia e os EUA sobre o futuro de Gaza ganhou partida pública durante a Munich Security Conference. A chefe de política externa da UE, Kaja Kallas, afirmou que o “Board of Peace” de Donald Trump funciona como veículo pessoal do presidente, tirando qualquer prestação de contas aos palestinos ou à ONU. Albares também criticou a iniciativa, dizendo que o conselho pode contornar o mandato original da ONU e que a Europa, antiga financiadora da Autoridade Palestina, ficou de fora do processo.
Kallas sustentou que a resolução do Conselho de Segurança da ONU previa um Board for Gaza com prazo até 2027, participação palestina e referências a Gaza. Ela afirmou que o estatuto atual do Board não contempla esses elementos, o que, segundo ela, descaracteriza o objetivo inicial. A fala ocorreu em um evento durante a conferência.
Entre os responsáveis da política externa, o senador democrata Chris Murphy manifestou temores de que o Board permita descontrole sobre bilhões de dólares de reconstrução, favorecendo aliados de Trump. O tema marca o embate mais direto entre os envolvidos na gestão do cessar-fogo e no apoio humanitário em Gaza, com a próxima reunião do Board prevista para Washington na próxima semana.
Nickolay Mladenov, enviado de Trump para Gaza, ressaltou, em aparte, a necessidade de avançar rapidamente com as ações de assistência humanitária, desmonte de armas entre facções e a reforma do território. Ele declarou que não aceitará acusações de genocídio e destacou a importância de manter Gaza unificada para qualquer solução de dois estados.
Mike Waltz, embaixador dos EUA junto às Nações Unidas, rebateu as críticas ao Board e afirmou que é necessário redefinir o papel da ONU. Ele informou que Indonésia concordou em enviar 8 mil militares à Força Internacional de Estabilização, com anúncios adicionais de tropas esperados nas próximas semanas. Segundo ele, parte dos países reluta em canalizar bilhões de reconstrução pela ONU.
Um participante palestino, Mustafa Barghouti, criticou o andamento das discussões, apontando que o território da Cisjordânia continua aberto a assentamentos e que a situação ameaça o acordo de Oslo. Barghouti disse que a discussão não foca apenas na responsabilidade por eventuais violações, mas na própria viabilidade de uma solução de dois estados.
Detalhes e próximos passos
A reunião do Board de Paz está marcada para ocorrer em Washington na próxima semana, com a participação de diversas partes interessadas. O cerne do debate é se o consórcio manterá controles, mecanismos de fiscalização e participação palestina, ou se seguirá um formato com menos supervisão internacional e maior influência externa.
Entre na conversa da comunidade