- O governo dos Estados Unidos pagou mais de $32 milhões a cinco países para aceitar cerca de 300 deportados de terceiros países.
- O caso mais extremo envolveu Ruanda, que recebeu $7,5 milhões mais cerca de $601.864 em custos de voo para sete pessoas, cerca de $1,1 milhão por pessoa.
- Equador, Guiné Equatorial, Eswatini e El Salvador também receberam pagamentos significativos para receber deportados, com valores e pessoas acordados variando entre os países.
- Mais de oitenta por cento dos migrantes enviados a esses terceiros países já retornaram ou estão em processo de retorno aos seus países de origem, levantando dúvidas sobre a eficiência do esquema.
- O relatório aponta falta de supervisão, casos em que governos de origem não foram devidamente contatados e uso de acordos com países com histórico de corrupção ou violações de direitos humanos.
O governo dos Estados Unidos gastou mais de 32 milhões de dólares para deportar cerca de 300 pessoas para cinco países estrangeiros por meio de acordos de deportação em terceiros países. A prática envolve pagamentos elevados a governos estrangeiros para receber migrantes enviados dos EUA.
Segundo o relatório de 30 páginas do comitê de Relações Exteriores do Senado, as parcelas variaram entre 4,76 milhões de dólares e 7,5 milhões de dólares, com custos adicionais de voos em alguns casos. Países como Ruanda, Guiné Equatorial, Palau, Eswatini e El Salvador foram usados.
Em Ruanda, o governo recebeu 7,5 milhões de dólares mais cerca de 601,864 dólares em custos de voo para receber apenas sete deportados, segundo a análise do relatório. O custo aproximado por pessoa foi de 1,1 milhão de dólares.
A Guiné Equatorial também recebeu 7,5 milhões de dólares para aceitar 29 deportados, elevando o custo por pessoa para aproximadamente 282 mil dólares. Palau recebeu 7,5 milhões de dólares, sem voos documentados; Eswatini, 5,1 milhões para 15 pessoas.
El Salvador recebeu 4,76 milhões de dólares para cerca de 250 pessoas deportadas. O relatório aponta que mais de 80% dos migrantes enviados a esses terceiros países já retornaram ou estão em processo de retorno, questionando a finalidade dos acordos.
Mudança de tema: supervisão e impactos
A reportagem aponta falta de fiscalização sobre os recursos, com estados dependentes de relatos dos próprios governos estrangeiros para monitorar gastos, sem auditorias independentes. O Departamento de Estado não teria acompanhado de perto a utilização dos recursos.
O documento cita casos em que governos de origem não foram contatados ou não tiveram tempo suficiente para processar documentos, incluindo uma denúncia de que o governo mexicano não foi informado antes de um deportado para o Sudão do Sul.
Além disso, o relatório destaca que o governo dos EUA já considerava possibilidades de tortura ou persecução no retorno de alguns migrantes, o que levou o DHS a justificar os envios como exceções em determinados cenários.
O estudo cita que operações envolveram negociações pouco transparentes, com concessões políticas ou pressões, como Sudão do Sul, que teria pedido alívio de sanções em troca de aceitar apenas oito deportados.
O documento também aponta uma possível brecha legal, com a maior parte dos migrantes enviados a terceiros países possivelmente protegidos por ordens judiciais nos EUA, dificultando retornos diretos aos seus países de origem.
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