- Em painel na Munich Security Conference, líderes discutiram a relação transatlântica, em tom de resposta aos planos de tarifas dos EUA e à forma de reagir com parcerias globais.
- Ngozi Okonjo-Iweala (WTO) afirmou que tarifas anunciadas nos EUA passaram de cerca de 2,6% para 18% e que medidas protetivas ainda são significativas, mas a organização continua buscando reformas no sistema comercial.
- A Europa sinalizou que, se os EUA persistirem, buscará novos parceiros, destacando acordos com Mercosul e com a Índia como caminhos para manter crescimento econômico.
- O vice-chanceler alemão Lars Klingbeil ressaltou que a ordem mundial muda e que a Europa precisa fortalecer soberania, defesa e relações com parceiros externos, mantendo o comércio estável.
- O senador Thom Tillis sugeriu que o governo americano é influenciado por conselheiros; defendeu que tarifas elevadas afetam consumidores e que é preciso de uma estratégia mais cuidadosa, mantendo a importância de valores democráticos ocidentais.
O conteúdo discutido na Munich Security Conference de 2026 traz o tema das relações transatlânticas em meio a tensões comerciais. O debate, intitulado Tariff-fifying Times, reuniu líderes e especialistas para avaliar o estado atual do sistema multilateral diante de tarifas e disputas comerciais.
A diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, afirmou que a reação a anúncios de tarifas precisa de cautela e diálogo para evitar uma escalada. Ela destacou que as tarifas médias dos EUA subiram de 2,6% para cerca de 18% em propostas, com tarifas efetivas em torno de 14%.
O vice‑canceler alemão Lars Klingbeil enfatizou a necessidade de construir novos parceiros econômicos para a Europa. Ele citou acordos recentes, como o EU-Mercosul, e ressaltou que tarifas prejudicam ambos os lados do Atlântico, exigindo diversificação de parcerias.
O presidente finlandês Alexander Stubb reforçou que estados menores podem enfrentar desvantagens competitivas diante de tarifas dos EUA. Ele defendeu reforçar a adesão ao WTO e buscar acordos com parceiros emergentes para preservar regras estáveis.
O senador Thom Tillis ressaltou que não criticou o presidente Trump, mas as aconselhamentos que influenciam políticas tarifárias. Ele argumentou que tarifas elevadas impactam consumidores e que é preciso de sinais consistentes dos mercados para evitar distorções.
Novo eixo de cooperação e reformas
Os participantes destacaram a necessidade de fortalecer instituições multilaterais e revisar regras comerciais para reduzir vulnerabilidades de países médios e pequenos. A ideia é manter a ordem baseada em regras e buscar reformas no WTO e em outros órgãos.
Klingbeil apontou que a União Europeia precisa ampliar sua soberania econômica e defesa, mantendo-se aberta a parcerias estratégicas com o exterior. Stubb sugeriu que o europeus busquem equilíbrio entre alianças e regras para sustentar o crescimento.
O debate também abordou o papel da China na arena global. Stubb destacou um triângulo entre o oeste, o sul global e o leste, com a necessidade de uma política externa baseada em valores, ao mesmo tempo em que se reforçam instituições internacionais para assegurar governança multilateral.
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