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Dinamarca enfrenta ação legal por acordo que concede poderes dos EUA em solo

Ação judicial pode contestar acordo que concede aos Estados Unidos poderes sobre bases dinamarquesas, complicando negociações sobre Groenlândia

Protesters gather outside the US embassy in Copenhagen at a demonstration in January over Greenland.
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  • A mestre Theresa Scavenius pretende processar o estado dinamarquês, alegando que o acordo é inconstitucional ao transferir autoridade para autoridades dos EUA sobre civis dinamarqueses.
  • O acordo, assinado em 2023 e aprovado pelo parlamento dinamarquês em 2025, concede aos EUA acesso irrestrito a bases aéreas dinamarquesas e poderes sobre civis.
  • O texto prevê jurisdição dos EUA sobre soldados no território dinamarquês e acesso às bases de Karup, Skrydstrup e Aalborg.
  • O Instituto dinamarquês de direitos humanos aponta riscos de que soldados dos EUA possam agir sem possibilidade de responsabilização pela justiça dinamarquesa.
  • A defesa foi aprovada pela maioria no parlamento em junho de 2025, mas as questões constitucionais devem ser resolvidas antes de negociações sobre Greenland.

O governo da Dinamarca enfrenta possível ação judicial sobre um acordo de defesa assinado em 2023, durante a gestão Biden, que concede aos EUA amplos poderes em território dinamarquês. A medida é contestada por alegação de inconstitucionalidade e pode complicar negociações com Washington sobre Greenland.

O acordo, aprovado pelo parlamento dinamarquês no ano passado, prevê acesso irrestrito de tropas americanas a bases aéreas dinamarquesas e competências sobre civis locais. Críticos afirmam que ele transfere autoridade a entidades e militares dos EUA dentro do território dinamarquês, sem emenda constitucional.

Theresa Scavenius, deputada independente, planeja processar o Estado da Dinamarca com base na suposta inconstitucionalidade. A parlamentar sustenta que a constituição permite transferência de soberania apenas com mudança constitucional que exija apoio de cinco sextos do parlamento, o que não ocorreu para o acordo.

Segundo a crítica, ainda que o texto não inclua Greenland, declarações da administração Trump sobre o território indicam potencial uso de força contra civis. Scavenius afirma que questões constitucionais devem ser resolvidas antes de iniciar negociações sobre Greenland.

A ratificação do acordo, em junho de 2025, ocorreu com ampla votação a favor no parlamento. O texto mantém tropas dos EUA sob jurisdição americana, concede acesso a bases em Karup, Skrydstrup e Aalborg e autoriza poderes sobre civis locais nesses locais e além deles.

O governo dinamarquês sustenta que o acordo não compromete a soberania nacional. A premiê Mette Frederiksen disse que manter vínculos próximos com os EUA é crucial diante de tensões regionais, e argumentou que o envolvimento americano não representa risco à Constituição.

Scavenius já solicitou assistência jurídica gratuita, com expectativa de tramitar a ação nos próximos meses. O objetivo é obter uma decisão que determine a constitucionalidade do pacto antes de novas etapas envolvendo Greenland.

O Danish Institute for Human Rights aponta riscos, como a possibilidade de EUA limitarem manifestações nas proximidades das bases e de impedir processamentos caso haja uso excessivo de força. Especialistas lembram que, se violado, o acordo ficaria fora do alcance da Justiça dinamarquesa.

O Ministério da Defesa afirmou que esperava a possível apresentação de uma queixa, mas não comentou outros detalhes. A autoridade ressaltou que ainda não recebeu a demanda formal para se manifestar.

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