- Cuba enfrenta uma crise econômica de quatro anos, agravada pela hiperinflação e pela migração de quase 20% da população, deixando o governo de 67 anos em posição fragilizada.
- O governo dos Estados Unidos busca mudar o regime cubano, com uma tática de manter o país sem combustível para pressionar protestos, enquanto diplomatas em Havana discutem planos alternativos.
- O Programa Mundial de Alimentos relata que a falta de combustível dificulta o fornecimento de energia, água e transporte de alimentos, gerando preocupação com uma crise maior.
- A México, maior fornecedora desde o ano passado, já interrompeu envios de petróleo; o presidente mexicano alertou para um desastre humanitário e enviou ajuda humanitária.
- Ações do regime cubano incluem fechamento de universidades, escolas e serviços não essenciais, corte de transporte público e redução de atividades, com diplomatas preparando-se para deixar o país caso a situação se agrave.
No fuel, sem turistas, sem dinheiro. Em Cuba, a crise econômica se agrava diante de sanções dos EUA e de interrupções no abastecimento de óleo. Diplomatas na Havana antiga quarter, Siboney, descrevem frustração com Washington e começam a planejar a retirada de missões, caso o cenário se agrave.
Segundo relatos obtidos pelo Guardian com autoridades de várias embaixadas, o governo norte-americano busca a mudança de regime por meio de um cerco econômico que inclua o corte do petróleo. Alguns diplomatas também mencionam planos para manter a compostura institucional diante de pressões externas.
A queda de óleo afeta diretamente áreas vitais, como eletricidade, abastecimento de água e transporte de alimentos. A situação já prejudica a atuação de organizações humanitárias, como o Programa Alimentar Mundial, que precisa reorganizar operações diante da escassez de combustível.
Ameaça de um novo cenário humanitário
O despejo de combustíveis reduz a produção de energia e a disponibilidade de alimentos frescos nas cidades. Autoridades cubanas já fecharam universidades, escolas secundárias e serviços públicos não essenciais para economizar recursos. O impacto é sentido sobretudo nas áreas urbanas.
Em meio a tensões, o presidente mexicano, Claudia Sheinbaum, pediu cautela e chegou a enviar 800 toneladas de ajuda humanitária ao país. O chanceler mexicano também destacou que as sanções dos EUA agravam a situação da população cubana, enquanto México interrompeu o envio de novos carregamentos de petróleo.
A depender da evolução, há preocupações com impactos em comunidades rurais e cidades menores. Relatos de estudantes e trabalhadores destacam quedas de energia e dificuldades para manter atividades básicas. Em Havana, há quem compare com momentos de crise, ainda que o país mantenha suas estruturas oficiais.
Ao mesmo tempo, cresce a movimentação de diplomatas para enfrentar o cenário. Embaixadas avaliam que, caso a situação se agrave, pode não haver espaço para funções normais. Profissionais dizem que o planejamento visa evitar surpresas e manter a coordenação entre os representantes estrangeiros.
Na capital cubana, áreas turísticas costumadas ao movimento intenso começam a ficar mais silenciosas. Restaurantes e bares relatam queda na ocupação, com visitantes que se concentram em poucas áreas durante a noite.
As autoridades locais indicaram que a redução de combustível compromete inclusive serviços médicos de emergência. Em relatos de cubanos residentes, há relatos de mudanças no cotidiano, como deslocamentos mais longos e racionamento de recursos básicos.
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