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A política hídrica entre Índia e Paquistão começa a esquentar

O estresse climático reduz caudais na Chenab, deslocando famílias e transformando a gestão de água em instrumento geopolítico entre Índia e Paquistão

This photograph taken on May 15, 2025 shows a man walking past the Baglihar Dam, also known as Baglihar Hydroelectric Power Project, on the river Chenab in the Ramban district of Jammu and Kashmir.
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  • a Índia planeja sete projetos hidrelétricos no vale do Chenab, quatro já em andamento, capazes de gerar cinco mil cento e ninety megawatts, afetando mais de vinte mil pessoas.
  • comunidades locais observam queda de até trinta por cento no fluxo de nascentes na bacia do Chenab, com barragens a montante atrapalhando a irrigação de lavouras.
  • muitos projetos são do tipo run-of-the-river, mas trazem custos ambientais e humanos significativos, como desmatamento, inundação de terras férteis e impactos na ecologia do rio.
  • mesmo mantendo a conformidade com o Indus Waters Treaty, a Índia tem usado a infraestrutura como sinal de firmeza política com o Paquistão, e o tratado chegou a ficar em abeyance em 2025 após incidentes na região.
  • famílias deslocadas relatam perda de land, falta de serviços básicos e problemas de saúde ligados à poluição e à construção, com promessas de desenvolvimento que não se concretizaram.

Shama Begum vive em Dungduro, no vale de Chenab, e depende do rio para irrigar plantações, pastagens e pesca. Diante de projetos hidrelétricos em Kishtwar e Doda, sua vida mudou com deslocamento e perdas de landa e gado.

A região ganha notoriedade pela potência hidrelétrica prevista: sete empreendimentos na área, com quatro em andamento, totalizando mais de 5 mil megawatts. O efeito sobre comunidades indígenas é direto, com mais de 20 mil pessoas impactadas.

A aeração de primavera estagnou e as bacias de Chenab, já sujeitas a obras upstream, sofrem com quedas de vazão. Barragens como Pakal Dul alteram picos do rio, prejudicando a irrigação dos lavradores locais.

Cenário de governança da água

A expansão hidrelétrica é apresentada como impulso de energia, mas também como sinal político entre Índia e Paquistão. O governo indiano aponta para uso pleno dos recursos, mantendo o tratado conforme, embora haja tensão diplomática crescente na bacia.

Comunidades relatam deslocamentos, perda de terras e danos em habitações. Muitos moradores denunciam falhas na compensação e na infraestrutura local, sem hospital, escola ou farmácia nas áreas afetadas.

Pesquisadores ressaltam que, mesmo com projetos classificados como run-of-the-river, impactos ambientais são significativos em regiões montanhosas, incluindo desmatamento e alterações em ecossistemas locais.

Desafios ambientais e sociais

Especialistas apontam que a concentração de obras em Kashmir eleva o controle de operação pela Índia, gerando desconfiança paulatina com o Paquistão. A governança da água fica vinculada a questões de segurança e confiabilidade de acordos bilaterais.

O Indus Waters Treaty, apesar de legalmente vigente, passa por pressões políticas. Recentes momentos de abstenção indicam que cooperação pode depender de fatores de segurança e de clima, elevando a sensibilidade da região a crises.

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