- O centro de detenção de Dilley, em Texas, abriga milhares de famílias com crianças, com denúncias de alimentação inadequada, água escassa, falta de atendimento médico e falta de educação, descritas como condições degradantes.
- Habiba Soliman, de origem egípcia, foi separada da família após completar dezoito anos e após ter publicado uma carta denunciando as condições; o ICE afirmou que a separação ocorreu por ela já ser adulta.
- Relatos mostram atrasos no atendimento médico a crianças, incluindo episódios graves como apendicite de um dos gêmeos de cinco anos, além de dificuldades para obter medicamentos e fraldas, alimentação e itens básicos.
- Casos que ganharam repercussão incluem a família de Amalia, bebê de dezoito meses, que ficou hospitalizada com covid-19, VRS, bronquite viral e pneumonia, e o caso de Liam Conejo Ramos, que ajudou a levar o centro aos jornais.
- Ações legais e de defesa incluem pedido de liberação de Habiba e família por autoridades legais, protestos de professores e moradores, e doações que ajudam a bancar a defesa, após críticas de autoridades e especialistas sobre as condições em Dilley.
Habiba Soliman, uma jovem egípcia que vivia no Colorado, está detida com a mãe e os quatro irmãos no centro de detenção para famílias migrantes de Dilley, no Texas. A detenção começou em junho, após o pai, Mohamed Soliman, estar envolvido em um ataque a manifestantes em Boulder. A família foi separada dela em janeiro, após denúncia pública das condições no local.
Os advogados afirmam que a separação ocorreu como represália por Habiba ter relatado as más condições vivenciadas no centro. Ela completou 18 anos em junho, mas só então foi afastada da família, dias após tornar pública uma carta sobre o tratamento recebido. A mãe e os irmãos permanecem no centro e enfrentam dificuldades diárias de acesso a comida, remédios e apoio médico.
Condições no centro
Relatos de Habiba e de seu advogado descrevem tratamento duro por parte de guardas, com linguagem agressiva e restrições de alimentação. A jovem afirma que crianças não recebem cuidado médico adequado; há relatos de refeições congeladas, presença de insetos e água insuficiente. O ambiente é descrito como sem escola, brinquedos ou assistência médica regular.
O caso de Habiba se soma a denúncias de dezenas de famílias. Um menino de 5 anos, que precisou de cirurgia de apendicite após crise, aguardou atendimento por horas. A defesa envolve a família, que também aponta sofrimento de irmãos e o impacto psicológico sobre as crianças, com relatos de pesadelos e tristeza constante.
A defesa da família solicitou visitas médicas e protestos por melhorias. O centro, administrado pela CoreCivic, reabriu em 2025 após o isolamento durante anos, sob o impulso de políticas migratórias da época. O local abriga centenas de famílias com filhos, sob críticas de organizações de direitos humanos.
Contexto e desdobramentos
Estimativas indicam que cerca de 3.500 pessoas passaram pelo centro desde a sua reinauguração, mais da metade menores de idade. Embora o Acordo Flores determine 20 dias como prazo máximo de detenção infantil, análises jornalísticas apontam casos de permanência superior a um mês.
Casos recentes de crianças detidas em Dilley ganharam atenção de autoridades e da imprensa. A bancada tem solicitado ações, com pedidos de fechamento das instalações em alguns momentos. Medidas legais próprias já foram acionadas por advogados de famílias afetadas, buscando alívio humanitário e supervisão de condições.
Impactos na saúde e na família
Entre as denúncias, destaca-se a falta de acesso a água potável, alimentação adequada e medicamentos. Crianças relatam dificuldades para dormir, ansiedade e piora de quadros de saúde já existentes. Pais relatam longas filas para medicamentos e dificuldades para obter itens básicos de cuidado.
A família Arrieta Valero e a bebê Amalia são citadas em ações judiciais que buscam liberá-la diante da gravidade clínica. Relatos de médicos e docentes de direito incentivaram ações legais, cuja tramitação envolveu recursos de advogados e participação de tribunais federais.
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