- Mark Carney apresentou a Doutrina Carney em Davos, defendendo que potências médias precisam de instituições reais para resistir à gravidade das grandes potências.
- A ideia é ampliar a base de segurança e prosperidade, reduzindo a dependência de uma hegemonia instável e de organizações multilaterais que muitas vezes não funcionam.
- Propõe redes plurilaterais entre atores confiáveis, conectando a União Europeia e o Acordo Abrangente e Progressivo de Parceria Transpacífico (CPTPP), com acordos setoriais para minerais críticos, veículos elétricos e tecnologias de uso dual.
- Desafios incluem Estados autoritários aprendendo a contornar redes, custos políticos de coordenação e a necessidade de mecanismos automáticos de retaliação para impedir cooperação seletiva.
- O caminho envolve liderança de minigrupos, participação mais ampla dos Estados Unidos e mecanismos de resposta rápida e enforcement, com narrativa clara para evitar normalizar violações sem responsabilidade.
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, iniciou em Davos uma defesa de uma nova visão para as potências médias. Segundo ele, o order internacional está se fragmentando e exige que países menores assumam maior responsabilidade de defesa da soberania, sem depender de grandes potências.
Carney descreve a chamada Doutrina Carney como uma diplomacia de geometria variável, com redes de parceria mais flexíveis e menos dependentes de instituições lideradas pelos EUA. A ideia é reduzir a vulnerabilidade diante de gigantes como EUA, China e Rússia.
A proposta sustenta que normas universais precisam ser atualizadas para funcionar com a realidade atual, em que aliados cooperam com diferentes níveis de compromisso. O objetivo é tornar cooperação mais eficaz, sem abrir mão de soberania.
Novo desenho de alianças
O conceito propõe formar redes plurilaterais entre Estados Unidos, União Europeia e membros do CPTPP para criar um bloco comercial que contorne a paralisia da OMC. A integração multilaterais seria complementada por acordos setoriais sobre cadeia de suprimentos e recursos críticos.
Esses acordos poderiam exigir políticas industriais coordenadas e barreiras consistentes contra subsídios chineses, buscando equilíbrio competitivo. A ideia é usar mecanismos de retaliação rápida para proteger membros diante de pressões externas.
Desafios e viabilidade
A doutrina enfrenta resistência de regimes autoritários que veem nas regras comuns uma ameaça a vínculos de poder. Além disso, há o desafio da cooperação: coalizões tendem a naufragar sem custos reais para quem quebra o pacto.
Defeitos em acordos bilaterais, como certas transações com grandes potências, podem comprometer a disciplina da coalizão. Advogados da estratégia defendem gatilhos automáticos que acionem medidas sem nova decisão política.
Caminho a seguir
Especialistas observam que uma coalizão de potências médias precisa de liderança consistente e compromisso com mecanismos de enforcement. A participação norte-americana continua sendo apontada como fundamental para dar sustentação à construção de redes mais robustas.
Carney afirma que a retórica precisa se traduzir em ações, com clareza moral e consequências tangíveis para condutas prejudiciais. A implantação dependerá de vontade política dos países envolvidos e de pressões internas para manter o alinhamento.
Entre na conversa da comunidade