Os Estados Unidos aceleraram, nesta semana, a mobilização militar ofensiva no Oriente Médio em meio a negociações sobre o programa nuclear do Irã. Relatos sobre avanços diplomáticos convivem com sinais de preparação para uma possível ação armada, com deslocamento de navios, aeronaves e sistemas de apoio para bases próximas ao território iraniano. Escalada militar e […]
Os Estados Unidos aceleraram, nesta semana, a mobilização militar ofensiva no Oriente Médio em meio a negociações sobre o programa nuclear do Irã. Relatos sobre avanços diplomáticos convivem com sinais de preparação para uma possível ação armada, com deslocamento de navios, aeronaves e sistemas de apoio para bases próximas ao território iraniano.
Escalada militar e demonstração de força no entorno do Irã
Entre a segunda feira (16) e quarta feira (18), monitores de tráfego aéreo registraram o deslocamento de ao menos 66 aviões de caça e ataque para três bases americanas sob jurisdição do Centcom, número que representa o dobro do contingente já presente nessas instalações, sem contar cerca de 90 aeronaves a bordo do porta aviões USS Abraham Lincoln.
Os registros indicam suporte de aviões tanque, com 20 modelos KC 135 e KC 46 em voo na manhã de quarta feira sobre o Atlântico a partir dos Estados Unidos, além de uma sequência de viagens de cargueiros C 17 entre a região e bases europeias.
Além deles, seis aeronaves radar E 3 e ao menos um avião U 2 já estavam na Europa, a poucas horas de um eventual emprego operacional. A composição do contingente chamou atenção por incluir 36 caças F 16, além de 12 F 22 e 18 F 35, modelos de quinta geração com características furtivas.
O envio de F 22, descrito como o caça mais poderoso da frota americana, apareceu associado à hipótese de uso do bombardeiro B 2, em arranjo semelhante ao empregado em um ataque americano a instalações nucleares do Irã em junho do ano passado. Naquele episódio, F 22 e F 35 atuaram como escolta, enquanto outros caças atacaram defesas aéreas iranianas.
No campo naval, foram inclusos a presença do Lincoln e sua escolta de três destróieres, além de ao menos 12 navios de guerra na região e cerca de 600 mísseis de cruzeiro Tomahawk posicionados no entorno do Irã. Também existe a possibilidade de reforço com um segundo grupo de porta aviões centrado no USS Gerald R. Ford, o maior modelo do tipo.
O navio, que participou de uma operação no Caribe responsável pela captura de Nicolás Maduro e de sua mulher, passou pelo estreito de Gibraltar nesta quarta-feira e entrou no Mediterrâneo.
Ao mesmo tempo, cresce a especulação sobre uma operação conjunta entre Estados Unidos e Israel. Segundo o jornal digital Axios, Washington se prepara para uma ação militar ao lado de Israel, com avaliação de que o cronograma pode começar em breve, embora integrantes do governo norte americano afirmem que o planejamento ainda não se fechou. Autoridades israelenses, segundo o mesmo relato, citam preparação para um cenário de guerra nos próximos dias.
Negociações nucleares, tensões diplomáticas e risco de conflito regional
As movimentações ocorrem após uma rodada de negociações em Genebra, na Suíça, na terça-feira (17). Autoridades envolvidas nas tratativas relataram uma reunião de cerca de três horas. As partes falaram em avanços, mas reconheceram divergências, e o governo norte americano avaliou que as diferenças podem inviabilizar um acordo.
O chanceler iraniano Abbas Araghchi descreveu progresso e citou novas reuniões, enquanto representantes dos Estados Unidos adotaram tom mais reservado e indicaram expectativa por uma proposta iraniana em duas semanas.
Um dos principais pontos desta cenário é a crise bilateral em décadas de hostilidade desde a Revolução Iraniana, marcada pela tomada da embaixada dos EUA em Teerã. Após um cessar fogo, o cenário interno iraniano, se deteriorou com crise econômica que levou milhares às ruas no fim de 2025, com repressão violenta quando os atos passaram a ter foco contra o regime.
Nesse contexto, Trump chegou a prometer apoio aos manifestantes e quase autorizou um ataque no começo do ano, mas recuou após Israel pedir mais tempo de preparo e aliados regionais alertarem para o impacto no comércio global de energia. O estreito de Hormuz também é destacado como um ponto sensível, com 20% do petróleo e do gás mundiais passando pela região, cuja costa norte fica sob controle de Teerã.
O Irã realizou exercícios navais no local nesta semana e anunciou manobras conjuntas com russos e chineses; uma corveta russa, a Stoiki, realizou manobras com embarcações iranianas nesta quarta-feira.
A pauta nuclear aparece como eixo central da pressão. Trump deixou, em 2018, um acordo que suspendia sanções em troca da renúncia à bomba atômica e da adoção de mecanismos de verificação para produção pacífica de urânio enriquecido. Teerã, segundo as matérias, busca renovar esse arranjo, enquanto Trump defende o fim total do programa.
Com apoio de Israel, o governo norte americano também cobra o encerramento do programa de mísseis balísticos, ponto que o Irã classifica como inegociável.
Vale ressaltar a negativa do governo iraniano sobre intenção de produzir armas nucleares, com alegação de fins energéticos e científicos, e citam relatos recentes do sistema internacional de inspeções que apontam níveis de enriquecimento que preocupam potências ocidentais pelo potencial de uso militar.
O quadro alimenta preocupação com os preços mundiais de energia e com o risco de erro de cálculo, enquanto diplomatas europeus tentam reabrir canais de diálogo em um ambiente de desconfiança após anos de sanções e operações clandestinas na região.
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