- Karen Newton, cidadã britânica de 65 anos, foi detida pela ICE por seis semanas nos EUA, mesmo com visto de turista válido, após problemas ao deixar o país com o marido.
- Durante a detenção, Karen ficou algemada, dormiu no piso de uma cela e passou por um longo trajeto de aproximadamente doze horas em veículo, chegando ao Northwest ICE Processing Center, em Tacoma.
- Ela não teve assistência jurídica inicial e foi mantida em regime de isolamento por semanas, sem entender o motivo da detenção, ouvindo relatos de incentivos financeiros para oficiais que detêm pessoas.
- Os Newton aceitaram a opção de autodeportação (self-removal) mediante assinatura de documentos; após a liberação, verificou-se que bens pessoais ficaram confiscados e o casal enfrentou impactos em finanças e correu para reaver documentos.
- Dados de turismo mostram queda de visitantes internacionais aos EUA em 2025; o caso da dupla faz parte de um conjunto de relatos que aumentam preocupações sobre detenção de viajantes, especialmente em meio ao cenário político e a políticas de imigração.
Karen Newton, uma aposentada britânica de 65 anos, ficou detida por seis semanas nos EUA, mesmo com visto de turista válido. A história, publicada pelo Guardian, revela como uma viagem familiar de dois meses em várias regiões terminou com detenção em um centro da ICE.
Karen viajava com o marido, Bill, 66, cujo visto de trabalho havia expirado, enquanto o passaporte de Karen seguia válido. O casal pretendia explorar EUA e Canadá, incluindo Yellowstone, e retornar ao Reino Unido. A detenção começou após uma tentativa de saída pelo Canadá ser barrada por questões de documentação.
A mulher foi algemada, colocada em celas sem camas e transportada por 12 horas até um centro de imigração em Tacoma, Washington. Lá, Karen ficou separada do marido e permanece por semanas sob custódia de uma empresa privada que administra a instalação.
Relatos ao longo do período indicam que Karen não teve assistência jurídica oferecida, afirmou não ter cometido crime e possuía passagem legal para permanecer no país. A narrativa descreve condições de confinamento, alimentação limitadas e isolamento emocional durante a prisão.
Segundo a reportagem, Karen ouviu relatos de agentes da ICE serem motivados por pagamentos de bônus por detenções. A ICE nega que bônus sejam vinculados a números de prisões, afirmando que remuneração segue políticas oficiais e envolve riscos operacionais.
Ao longo de semanas, o casal tentou contato com consulados britânicos e autoridades. As visitas de ICE eram regulares, mas as informações sobre o andamento dos casos eram inconsistentes, gerando frustração e incerteza.
Em novembro, Karen recebeu a notícia de que seria libertada; Bill também seria liberado em seguida. Mesmo assim, passaram horas separadas, com a liberação ocorrendo apenas em momentos distintos, antes de voltarem para casa no Reino Unido.
De volta ao Reino Unido, Karen enfrentou consequências práticas: carro com a bateria descarregada, plantas mortas, faturas não pagas e atrasos na correspondência. A experiência também hipotecou sua tranquilidade financeira e emocional.
A reportagem relaciona o caso à política de imigração da administração Trump, citando impactos negativos no turismo internacional. Dados do setor indicam queda de visitantes estrangeiros em 2025, com perdas significativas de receita estimadas pela World Travel & Tourism Council.
O Guardian aponta que a detenção de viajantes com documentos em dia ocorreu em meio a mudanças nas prioridades de imigração, elevando o escrutínio sobre casos de pessoas que aguardavam saída do país.
O caso de Karen levanta a discussão sobre procedimentos da ICE, direitos de detenção e a atuação de empresas contratadas para administrar centros de detenção, sem oferecer conclusões sobre responsabilidades, apenas fatos narrados pela própria sobrevivente.
Entre na conversa da comunidade