- A Justiça panamenha anulou as concessões das terminais de Balboa e Cristóbal, operadas pela Panama Ports Company, controlada pela CK Hutchison.
- Autoridades panamenhas tomaram de fato os portos para operação, após decreto, dizendo buscar continuidade das atividades.
- Foram assinados contratos temporários de concessão, válidos por até dezoito meses, com a Autoridade Panamenha de Mares (AMP): Balboa ficará com a APM Terminals Panama e Cristóbal com a TIL Panama.
- A CK Hutchison afirmou que a tomada é ilegal, alegou entrada física nas instalações e informou que pretende mover ações legais nacionais e internacionais.
- Maersk e MSC não comentaram de imediato; a decisão pode impactar a venda de portos da CK Hutchison, avaliando em cerca de US$ 23 bilhões, para o consórcio liderado pela BlackRock e MSC.
O conglomerado de Hong Kong CK Hutchison afirmou nesta terça-feira que autoridades panamenhas ameaçaram seus funcionários com processar criminalmente caso desobedecessem ordens de deixar dois portos estratégicos do Canal do Panamá. A empresa descreveu a atuação como parte de uma disputa legal entre Pequim e Washington.
A decisão de Panamá de cancelar contratos-chave com a Pananama Ports Company, controlada pela CK Hutchison, e de conceder licenças temporárias à Maersk e à MSC ocorreu após uma sentença do judiciário panamenho tornar nulas as concessões. O objetivo declarado é manter a continuidade operacional.
A operação nos portos de Balboa e Cristóbal foi alvo de mudanças institucionais. Autoridades panamenhas afirmaram que as terminações temporárias visam evitar interrupções no trânsito de mercadorias, com contratos provisórios válidos por até 18 meses.
Medidas temporárias e desdobramentos
A AMP, Autoridade Marítima do Panamá, assumiu a gestão dos portos por decreto. APM Terminals Panama ficará com Balboa, enquanto a TIL Panama, ligada à MSC, operará Cristóbal. CK Hutchison informou que buscará ações legais nacionais e internacionais contra Panamá e terceiros.
Panamá declarou que os contratos temporários são ferramentas legítimas para manter a operação durante a reestruturação do modelo de concessões. O presidente do país enfatizou que não houve expropriação, apenas uso temporário dos ativos.
A empresa Maersk e a MSC não comentaram o assunto de imediato. As ações ocorrem em meio à disputa comercial mais ampla entre EUA e China, que envolve o controle de rotas de comércio globais. As ações também impactam projetos de venda de portos sob gestão da CK Hutchison.
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