- O Serviço Federal de Segurança russo abriu um processo penal contra o fundador do Telegram, Pavel Durov, por suposta colaboração com o terrorismo.
- A acusação aponta que o Telegram não bloqueou mais de 154.000 canais e chats considerados delitivos, ligados a oposição, sabotagens, pornografia infantil e tráfico de drogas.
- Moscou tem pressionado por uma mudança para o serviço de mensagens estatal Max, já com bloqueios a apps como WhatsApp e restrições ao Telegram.
- A investigação cita o ataque à Sala Crocus, em Moscou, de março de 2024, alegando coordenação via Telegram; também menciona ataques contra militares e bloggers nacionalistas preparados na plataforma.
- O caso aumenta a pressão sobre Durov, que mantém base nos Emirados Árabes Unidos, e ocorre em meio a discussões sobre extradição e possíveis restrições adicionais ao Telegram em outros países.
O Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB) abriu um processo penal contra o fundador do Telegram, Pável Durov, por suposto delito de colaboração com o terrorismo. A acusaçao aponta que a plataforma não bloqueou mais de 154 mil canais e chats.
Segundo veículos oficialistas, os conteúdos seriam ligadas a atividades opositoras, sabotagens e outros delitos, incluindo pornografia infantil e tráfico de drogas. A investigação amplia o confronto entre Moscou e Durov.
Telegram tem sede temporária nos Emirados Árabes Unidos, após a recusa de cooperação com o FSB no passado. O veto foi suspenso em 2020, com alegação de cooperação em temas antiterroristas.
Pressão do Kremlin sobre plataformas
O governo russo avança para impor regras em mensageiros, buscando incentivar o uso do serviço estatal Max. A medida coincide com bloqueios totais ou parciais a apps estrangeiros.
A Duma tem sinalizado que Telegram pode enfrentar veto total a partir de abril, ampliando a tensão entre o Kremlin e Durov. A decisão pode incluir pedidos de extradição.
Contexto e desdobramentos
Relatos da Rossíiskaya Gazeta mencionam cerca de 33 mil casos de sabotagem, terrorismo e extremismo ligados ao Telegram desde a invasão da Ucrânia.
O FSB também aponta ataques no Crocus Hall, em Moscou, de março de 2024, atribuídos a extremistas ligados ao Estado Islâmico de Jorasão. Putin comentou a crise apontando a Ucrânia como responsável.
Repercussões e postura internacional
Dados da Komsomólskaya Pravda indicam que muitos casos atribuídos ao Telegram tratam de difusão de desinformação ou justificação de extremismo. O Ministério da Justiça russo rotula várias ONGs como indesejáveis.
Telegram já enfrentou acusações em França por conteúdos ilegais, e mantém tentativas de manter operações em vários países. Países como Espanha e Ucrânia discutem restrições à plataforma.
A disputa também envolve uso militar: relatos de tropas russas pedem evitar o app estatal Max, citando falhas de segurança. A troca de mensagens no front tem sido relevante para o planejamento.
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