- Trump disse que o Irã desenvolveu mísseis que ameaçam a Europa e bases americanas no exterior, e que está “trabalhando para alcançar” os Estados Unidos; não apresentou evidências.
- Avaliações públicas dos EUA e do Irã: a Agência de Inteligência de Defesa (DIA) aponta possibilidade de o Irã ter veículos de lançamento de veículos espaciais que poderiam levar a uma míssil intercontinental até 2035; a imprensa estatal iraniana afirma que Teerã desenvolve míssil capaz de atingir os EUA.
- Status do programa nuclear do Irã: três instalações de enriquecimento foram atingidas por ataques dos EUA em junho; a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) diz que o Irã pode começar a enriquecer novamente em escala mais limitada em meses; a AIEA não conseguiu inspecionar as três instalações atingidas (Natanz, Fordow e Isfahan).
- Sobre a possibilidade de possuir uma arma nuclear: EUA e Israel disseram que o Irã estava perto de ter uma bomba; a AIEA e o serviço de inteligência dos EUA afirmam que o Irã interrompeu o programa de armas nucleares em 2003; Teerã nega buscar armas nucleares.
- Sobre mortes de protestos: Trump afirmou que o Irã matou pelo menos 32 mil manifestantes; HRANA registra 7.007 mortes verificadas e 11.744 sob avaliação; o Irã divulgou lista de 3.117 mortos; autoridades iranianas afirmaram ter verificado pelo menos 5.000, incluindo cerca de 500 agentes,.
O ex-presidente Donald Trump afirmou recentemente que o Irã desenvolveu mísseis capazes de ameaçar a Europa e bases americanas no exterior, e que estaria “trabalhando para construir mísseis que chegarão em breve aos Estados Unidos”. Segundo ele, as operações militares de junho passado, conhecidas como Midnight Hammer, teriam “obliterado” o programa nuclear iraniano, mas Teerã estaria recomeçando suas atividades, segundo a fala dele. Não foram apresentadas evidências para sustentar as alegações.
A comunidade de inteligência dos EUA apontou limitações nessa avaliação. A DIA informou que o Irã possui veículos de lançamento de espaço com potencial para desenvolver um míssil balístico intercontinental até 2035, caso decida seguir esse caminho. A imprensa estatal iraniana afirmou que Teerã está desenvolvendo um míssil capaz de alcançar os Estados Unidos.
Estado atual do programa nuclear
As três instalações onde o Irã produz urânio enriquecido foram atingidas por ataques dos EUA em junho. O objetivo das operações foi interromper o avanço do que Washington considerou um programa de armas. O diretor-geral da IAEA, Rafael Grossi, afirmou que o enriquecimento pode ser retomado, ainda que de forma mais limitada, em poucos meses.
A IAEA inspecionou 13 instalações declaradas não bombardeadas, mas não teve acesso aos três locais atingidos: Natanz, Fordow e Isfahan. Há discordância entre avalições oficiais sobre a capacidade de produção de material adequado para uso civil ou bélico, enquanto Teerã nega buscar armas nucleares.
Perspectiva de curto prazo
As avaliações de inteligência dos EUA e da IAEA divergem quanto à probabilidade de reconstrução de um programa de armas. A comunidade de inteligência afirmou que não há consenso sobre a reautorização de um programa nuclear por parte do líder supremo, Ali Khamenei, mesmo diante de pressões internas.
Trump, por sua vez, responsabilizou Teerã por ampliar o conflito regional e afirmou que o Irã está muito próximo de possuir uma arma nuclear. Não houve apresentação de evidências públicas por parte dele para sustentar essas afirmações.
Mortes em protestos iranianos
Em sua fala, Trump também citou uma contagem de mortes durante protestos no Irã, alegando pelo menos 32 mil óbitos. Uma organização de direitos humanos com sede nos EUA informou números diferentes, com 7.007 mortes verificadas e 11.744 sob avaliação. Teerã publicou uma lista com 3.117 mortos, segundo autoridades iranianas citadas pela imprensa.
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