- Neste fim de semana, forças especiais do exército mexicano realizaram a morte de Nemesio Rubén “El Mencho” Oseguera Cervantes, líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), em Tapalpa, Jalisco.
- O CJNG mantém presença em mais de quarenta países e atua em atividades como extorsão, tráfico de armas, contrabando, migração irregular e roubo de petróleo e minérios, segundo o Departamento de Estado dos Estados Unidos.
- O grupo tem usado tecnologia para expandir seu poder, com recrutamento e propaganda em redes sociais e uso de inteligência artificial; estudo aponta que o CJNG liderou contas ligadas a cartéis no TikTok.
- Em operações de campo, o CJNG utilizou drones modificados com explosivos para ataques contra rivais, registrados desde Michoacán até Guerrero, com um aumento gradual de incidentes entre 2020 e 2023.
- A DEA classifica o CJNG como organização terrorista em todos os níveis, ressaltando que a morte de El Mencho não desfaz a rede, que funciona por meio de vários comandantes e estruturas logísticas sem depender de um único líder.
Nemesio Rubén Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, foi morto neste fim de semana em Tapalpa, Jalisco, segundo autoridades federais mexicanas. A operação, realizada por Forças Especiais do Exército, encerra um comando que dominava o CJNG, um dos cartel mais poderosos do México. A notícia pode redefinir o mapa do tráfico de drogas e dos conflitos entre facções.
O CJNG, liderado por El Mencho por anos, é apontado pela State Department dos EUA como presente em quase todo o México e em países da América, Ásia e Oceania. A organização atua em fentanyl, extorsão, contrabando de migrantes, roubo de petróleo e minerais e tráfico de armas, entre outras atividades criminosas.
Desde sua fundação, o CJNG ganhou dimensão ao explorar tecnologia, redes sociais e drones para ampliar controle, recrutamento e finanças. A rede Los Cuinis, ligada a Abigael González Valencia, funciona como estrutura financeira internacional, com ligações a cadeias globais de lavagem de dinheiro.
Diversos denunciantes apontam que o CJNG utiliza IA e plataformas digitais para recrutamento e fraude, com casos documentados pela Interpol e pesquisas acadêmicas. Estudos brasileiros destacam que TikTok funciona como ferramenta de recrutamento para facções, com o CJNG liderando a presença entre as plataformas analisadas.
O grupo também investe em equipamentos bélicos de próxima geração. Drones modificados com explosivos foram usados para ataques em Michoacán e Guerrero, segundo especialistas, elevando o nível de violência nas regiões. Entre 2020 e 2023, o registro de ataques aéreos com drones aumentou significativamente no país.
Polícia e autoridades mexicanas indicam que, desde 2023, o CJNG estruturaam unidades especializadas em aeronaves não tripuladas, dedicadas a inteligência, vigilância e ataques. A força-tarefa mexicana relata que quase 5 mil explosivos, incluindo drones, foram desativados no estado de Michoacán nos últimos anos.
A DEA descreve o CJNG como uma organização terrorista em todos os níveis, do comando à rede de distribuição. Mesmo com a morte de El Mencho, analistas ressaltam que a rede opera por meio de múltiplos comandantes e franquias, o que pode manter a capacidade operacional da organização.
Especialistas destacam que a fragmentação interna é possível, abrindo espaço para desmantelamento ou, ao contrário, para o nascimento de novas células. Enquanto isso, autoridades destacam que cada identificação, apreensão e ato de combate salva vidas e protege comunidades.
Este texto é uma releitura de reportagem publicada originalmente no WIRED en Español, traduzida para o português brasileiro. Fontes confiáveis citam a atuação internacional do CJNG e as mudanças estratégicas no comando após a morte de El Mencho.
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