- O livro From Club to Commons defende que a União Europeia funciona como um bem comum, com Estados-membros compartilhando recursos e regras.
- Os autores comparam as ideias de Elinor Ostrom com a integração europeia, mostrando que a UE se atualiza por necessidade, não apenas por vontade de ampliar.
- Países e empresas de fora da UE têm acesso aos bens europeus, o que aumenta vulnerabilidades e exige cooperação mais estreita.
- Crises como a pandemia e crises financeiras mostraram que a defesa do mercado interno demanda avanços na integração.
- Segundo a obra, ampliar a participação externa e aprofundar políticas internas ocorrem simultaneamente para evitar a “tragédia dos comuns” e beneficiar a todos.
A nova obra From Club to Commons: Enlargement, Reform and Sustainability in European Integration propõe que a visão da União Europeia como um clube é enganosa. O livro compara a UE aos assentamentos de Ostrom, onde comunidades compartilham recursos para evitar desperdícios e sabotagens. Segundo os autores, o interesse comum molda regras e instituições.
Erik Jones e Veronica Anghel argumentam que a UE não é um clube exclusivo, pois bens europeus são acessíveis a fora da União. Países e empresas, assim como migrantes e estudantes, participam de recursos como o mercado interno, o euro e a defesa comum. Outsiders trazem utilidade estratégica para a segurança europeia.
A obra enfatiza que crises passadas — desde a crise do euro até a pandemia de COVID-19 — mostraram a necessidade de cooperação. A resposta inclui integração compartilhada, como compras conjuntas de vacinas e emissão de dívida para estimular economias afetadas, fortalecendo a ideia de uma comunidade mais inclusiva.
Para os autores, o avanço não depende apenas de vontade política interna. Há, ainda, resistência interna a políticas da UE, como o fortalecimento da união bancária e ajustes na coordenação de defesa. A tensão interna pode atrasar decisões e abrir brechas para pressão externa.
O livro aponta que a UE atua em dois eixos simultâneos: reformar políticas internas e buscar acordos com países não membros. Exemplos citados incluem acordos com a Ucrânia em defesa, telecomunicações e energia, além de avanços no mercado único e na proteção de direitos anticorrupção.
Essa dinâmica de abertura externa tem gerado debates sobre o ritmo de adesão de novos membros. A questão de incluir outsiders, como a Ucrânia, aumenta a necessidade de regras de governança e, por vezes, de reformas institucionais para evitar erosões legais internas.
Segundo os autores, o processo de cooptar parceiros externos não é automático nem uniforme. Casos como a Hungria mostram que, mesmo com avanços, há tensões que podem comprometer decisões sobre a Ucrânia e limitar o ritmo de integração de novos participantes.
A autora e o autor destacam que a UE, ao mesmo tempo em que amplia sua área de atuação, reforça mecanismos de disciplina entre os Estados membros. O resultado é uma estrutura que busca equilibrar reformas internas com maior cooptação de atores externos.
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