- Irlanda apresenta a primeira estratégia marítima, buscando cooperação mais próxima com vizinhos da OTAN para enfrentar ameaças no Atlântico Norte, com planos de ampliar radar e vigilância submarina.
- O documento aponta lacunas na monitorização de águas territoriais, que envolvem cabos transatlânticos de dados e interconexões energéticas críticas.
- O governo propõe maior cooperação com o Reino Unido e a França e participação na Força Expedicionária Conjunta (Joint Expeditionary Force), grupo de dez países da OTAN.
- O primeiro-ministro Micheál Martin destacou que, se ocorrer falha em gasodutos com a Grã-Bretanha, a economia ficaria inviável em cerca de dez dias.
- O plano prevê melhoria de tecnologia nos próximos dois anos, com radar, sonar rebocado e sonobóias, além de tecnologias espaciais e uso ampliado de drones marítimos; o gasto militar de 2023 foi de 0,2% do PIB.
Ireland intensifica cooperação com vizinhos da NATO para enfrentar ameaças marítimas
O governo divulgou na quarta-feira a primeira estratégia de segurança marítima, anunciando planos para ampliar radares, vigilância subaquática e cooperação com membros da NATO, diante de crescentes ameaças híbridas no Atlântico Norte.
O país, que mantém neutralidade e tem o menor gasto militar da UE, aponta vulnerabilidades na defesa de águas territoriais, que abrangem redes de cabos transatlânticos e conexões energéticas críticas. O documento aponta críticas à capacidade atual de monitoramento.
A estratégia enfatiza a necessidade de maior cooperação com o Reino Unido e a França e sugere participação em atividades da Força Expedicionária Conjunta, grupo de 10 estados-membros da NATO no Atlântico Norte. Tais passos são descritos como de importância vital.
Segundo o texto, Dublin buscará preencher lacunas de monitoramento com novas tecnologias, incluindo radar avançado, sonar rebocado e sonobuoys, nos próximos dois anos, além de explorar tecnologias espaciais e ampliar a partilha de dados com a UE.
A proposta também prevê o uso ampliado de veículos não tripulados e drones marítimos, bem como maior integração com programas europeus de dados. O financiamento atual é alvo de debate no governo.
Dados oficiais indicam que a Irlanda gastou cerca de 0,2% do PIB com defesa em 2023, o menor índice da UE, bem abaixo da média de 1,3% naquele ano. O orçamento para 2026 projetado é de 1,5 bilhão de euros, sem sinal de grandes mudanças rumo à média europeia.
O governo sustenta que não há alternativa a ações coordenadas, mesmo diante de sensibilidades locais sobre neutralidade militar. O premiê Micheál Martin argumentou, em plenário, que interrupções em conectores de gás com a Grã-Bretanha poderiam impactar a economia em curto prazo, caso não haja proteção adequada.
A estratégia foi apresentada em meio a preocupações sobre a atividade da chamada “frota sombra” da Rússia, citada como potencial ferramenta de espionagem e sabotagem. Moscou nega as acusações.
A documentação aponta ainda que o país avalia tecnologias de monitoramento espacial e cooperação com programas de dados da UE para fortalecer a resiliência costeira frente a ameaças diversas.
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